sábado, 4 de maio de 2024

Câncer de mama: cuidados e prevenção o ano inteiro. Cantora Patrícia Tavares participa da campanha.


O câncer de mama é uma doença causada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns tipos têm desenvolvimento rápido enquanto outros são mais lentos. Ele pode ser detectado em fases iniciais, em grande parte dos casos, aumentando assim as chances de tratamento e cura. Todas as mulheres, independentemente da idade, podem conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres.

Além de estar atenta ao próprio corpo, também é recomendado que mulheres de 50 a 69 anos façam uma mamografia de rastreamento (quando não há sinais nem sintomas) a cada dois anos. Esse exame pode ajudar a identificar o câncer antes do surgimento dos sintomas.

Mamografia é uma radiografia das mamas feita por um equipamento de raios X chamado mamógrafo, capaz de identificar alterações suspeitas.

Mulheres com risco elevado para câncer de mama devem conversar com seu médico para avaliação do risco para decidir a conduta a ser adotada.

COMO PREVENIR

Cerca de 30% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis como:

– Praticar atividade física regularmente;

– Alimentar-se de forma saudável;

– Manter o peso corporal adequado;

– Evitar o consumo de bebidas alcoólicas;

– Amamentar

SINAIS E SINTOMAS

É importante que as mulheres observem suas mamas sempre que se sentirem confortáveis para tal (seja no banho, no momento da troca de roupa ou em outra situação do cotidiano), sem técnica específica, valorizando a descoberta casual de pequenas alterações mamárias.

Os principais sinais e sintomas do câncer de mama são:

– Caroço (nódulo) fixo, endurecido e, geralmente, indolor;

– Pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja;

– Alterações no bico do peito (mamilo);

– Pequenos nódulos na região embaixo dos braços (axilas) ou no pescoço;

– Saída espontânea de líquido dos mamilos

As mulheres devem procurar imediatamente um serviço para avaliação diagnóstica ao identificarem alterações persistentes nas mamas. No entanto, tais alterações podem não ser câncer de mama.


CUIDADOS COM AS MAMAS DEVEM SER O ANO INTEIRO E NÃO APENAS EM OUTUBRO, ENFATIZA O INCA

É preciso ainda atenção às pessoas de baixa escolaridade sem acesso à mamografia e às regiões que têm taxas de incidência e mortalidade elevadas

O Rio de Janeiro é o estado brasileiro com maior taxa estimada de incidência de câncer de mama (68,78%) e também a unidade da federação com maior mortalidade (18,8%), segundo estimativas elaboradas pelo INCA para o biênio 2018-2019. Os números preocupantes no Rio de Janeiro são resultado de fatores como o envelhecimento da população, a inatividade física e a obesidade. 

Das mulheres com indicação etária para exames de mamografia (50 a 69 anos) a cada dois anos, 60% fizeram o procedimento em 2013, segundo a última Pesquisa Nacional de Saúde. Destas, a maior parte está no Sudeste (67,9%) e a menor, no Norte (38,7%). Se esses números forem observados pela ótica da escolaridade, uma nova discrepância é constatada: mulheres com curso superior completo – portanto, em tese, com mais acesso à informação – representam 81% das que fizeram mamografia contra 51% das que não têm instrução ou possuem o ensino fundamental incompleto. Mais uma vez, o Norte do País apresenta a maior distorção – menos de 30% com baixo nível de escolaridade se submeteram à mamografia.

“A gente não vai avançar se dermos atenção por igual a situações desiguais”, analisou Liz Almeida, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA, que fez a apresentação “A Situação do Câncer de Mama no Brasil”

“É preciso, sim, dar uma atenção diferenciada para a Região Norte”. Ela disse que a situação do Rio de Janeiro também chama atenção.

O Brasil figura, em 2018, na segunda faixa mais alta de incidência de câncer de mama entre os todos os países com uma taxa de 62,9 casos por 100 mil mulheres (taxa padrão utilizada mundialmente). Os países são agrupados em cinco faixas.

Quanto à taxa de mortalidade de câncer de mama, o Brasil está situado na segunda faixa mais baixa com uma taxa de 13 por 100 mil, ao lado de países desenvolvidos como EUA, Canadá e Austrália, e melhor de que alguns deles, como a França e o Reino Unido.


REDE DE SOLIDARIEDADE

O Instituto promoveu o debate “Juntos, enfrentando o medo”, mediado pela jornalista Luana Bernardes, da Rádio BandNews FM. O objetivo foi mostrar que, ao lado do papel inquestionável do Estado no controle da doença, parentes, amigos e a sociedade civil organizada podem contribuir com o apoio de várias formas a pacientes e familiares, principalmente no enfrentamento do estigma do câncer.

A presidente da ONG Pérolas, Jhiovana Ibañez, enfatizou a necessidade de resgate da autoestima das mulheres. “Algumas delas não se sentem corporalmente mais mulheres depois de uma cirurgia para remover a mama”. As redes de apoio são importantes, continuou, porque muitas vezes, as mulheres não conversam com a família sobre o problema, mas se sentem mais à vontade com quem enfrenta ou enfrentou o câncer de mama.

A psicóloga da Clínica da Dor do INCA e coordenadora do grupo de pesquisa Corpo e Finitude, Juliana Castro, se centrou na necessidade de “reinvenção do corpo” principalmente no pós-tratamento: “Esse trabalho é lento, subjetivo, mas é isso que vai fazer com que a paciente possa fazer desse corpo novo o corpo próprio”.

“O que eu percebo é o que o medo que a gente tem nem só é do estigma que a gente ouve dizer (‘Vai cair cabelo’, ‘Vai sentir enjoo’), mas o medo ‘do que vai ser’ ’’, disse Walkyria dos Reis Nadaz, paciente do INCA e integrante do grupo Renascer. Ela também considera que o apoio das redes de solidariedade é fundamental. A paciente fez retirada radical do seio direito e é modelo de corpo da campanha de controle do câncer de mama, por isso não fez reconstrução mamária. “O medo pode ser positivo ou negativo: depende de quem está ao seu lado”, avaliou.

DISSEMINAÇÃO DO CONHECIMENTO

Para a chefe da Seção de Mastologista do INCA, Fabiana Tonellotto, “o que se precisa é fazer a disseminação do conhecimento, é educar as pessoas, para que elas se conheçam e conheçam o seu corpo”. Ela acredita que isso acaba por “reduzir esse medo”.

A CAMPANHA 

A campanha do INCA e do Ministério da Saúde tem como mote Cada corpo tem uma história. O cuidado com as mamas faz parte dela, e foi apresentada pela diretora-geral do Instituto, Ana Cristina Pinho. “O câncer é uma realidade e é parte da vida das pessoas. Então, é preciso falar disso”, disse ela lembrando o quanto o medo do câncer ainda é disseminado na sociedade.

A campanha tem como alvo mulheres em torno de 60 anos, mas é um chamado a toda a sociedade. O mês de outubro deve lembrar que o cuidado com as mamas, inclusive pelos homens (a doença afeta cerca de 1% deles, mas de forma bem agressiva), precisa ocorrer o ano inteiro.

Por este motivo, desde 2014 a PR PRODUÇÕES (CULTURARTE e jornal BARÃO DE INOHAN), realizam a exposição fotográfica de prevenção ao câncer de mama, onde reúne mulheres de todas as idades, credos, profissões, classes sociais, etnias, falando dos diversos tipos de cânceres. Fala do agressivo câncer nas negras, em mulheres magras, sem seios, gordinhas, com seios enormes, mulheres siliconadas, mulheres baixinhas, mulheres muito altas, adolescentes, e mais recentemente crianças e homens.

A partir de 2023, a PR PRODUÇÕES trouxe também a presença de homens e mulheres trans e todos os problemas que as glândulas mamárias presentes em qualquer ser humano pode trazer e acarretar em suas vidas.

CANTORA E COMPOSITORA PATRÍCIA TAVARES PARTICIPA DA CAMPANHA

Patrícia Tavares que até meados de abril de 2024 era conhecida como Paty Pink, é cantora e compositora, tem 41 anos, teve quatro filhos é casada, vive em Santa Catarina e como toda mulher inteligente e que se preza, toma todos os cuidados com sua saúde, principalmente na questão dos seus seios (lindos por sinal), onde diariamente faz o exame de toque normalmente durante o banho, ou em sua cama quando vai se deitas após um árduo dia de muito trabalho.

Patrícia vai pelo menos duas vezes ao ano ao ginecologista e este ano fará pela primeira vez uma mamografia para conferir que está tudo bem com suas mamas.

Ela deixa um recado para todas as mulheres: "Nós temos a oportunidade única de gerar vidas, de alimentar vidas. Nossos seios são lindos. Durinhos, caídos, pequenos ou grandes, não importa, são lindos e ao meu ver, a parte mais linda dos nossos corpos. Temos que cuidar e preservá-los. Façam seus exames de toques, façam mamografias, visitem seus ginecologistas com frequência. Prevenir nunca é demais" sentenciou Patrícia.

Quer conhecer um pouco mais desta cantora e compositora, Musa Completa 2022? Acesse https://culturarteenpr.blogspot.com/2023/02/paty-pink-da-dor-ao-inicio-do-estrelato.html e veja toda sua vida de luta, sofrimentos e superações. Um grande exemplo de mulher e um grade talento musical.

Confira o belíssimo ensaio completo de Patrícia Tavares (Paty Pink) para a exposição fotográfica de prevenção ao câncer de mama, acessando https://modelosdobrasilpr.blogspot.com/2023/04/paty-pink-na-campanha-de-prevencao-ao.html



AROMATIZADORES AMBIENTAIS 
E TERAPÊUTICOS




sexta-feira, 3 de maio de 2024

"Recomeçar é dar a si mesmo uma nova chance de ser melhor e feliz!" por Fernanda Brasil

 


Mesmo que a vida te diga um “não”, recomece.

Escreva uma nova historia, vire a pagina, livre-se dos pesos, ponha a alma no varal, levante a cabeça e caminhe. 

A lei da vida é caminhar, porque enquanto você fica preso no passado, nas magoas, nos problemas, a vida não para, ela continua, portanto quem está perdendo tempo e oportunidades é você! 

Pense nisso, de todos os verbos, o mais amplo é o RECOMEÇAR. 

Recomeçar é dar vida ao que antes estava morto, é acreditar, é viajar e imaginar, recomeçar é dar a si mesmo uma nova chance de ser melhor e feliz!


Modelo, Fotos e Make: Fernanda Brasil, técnica de enfermagem, Perita Criminal, modelo, Musa da Região dos Lagos, Macaé e Campos 2021, Garota da Capa 2021, Bruxinha do Barão 2021, Musa do estado do Rio de Janeiro 2021, MAMÃE NOEL 2021, GATA DO BARÃO 2021,  MUSA COMPLETA 2021, COELHINHA DO BARÃO 2022, MISS BRASIL SÊNIOR NOVO MUNDO 2021/2022, GATA NOEL 2022 e A MAIS BELA CAIPIRA 2023

Texto: Fernanda Brasil

Realização: PR PRODUÇÕES




quinta-feira, 2 de maio de 2024

AMANDA REGINA: SUPERANDO DESAFIOS E DEIXANDO NOSSA CIDADE LINDA, COMO ELA!!!


Há cerca de seis meses, ainda em 2023, vimos uma bela jovem (de tantas outras) na rede social Facebook. Mas o que na verdade mais nos chamou a atenção, não foi sua beleza ou atributos físicos, mas sim, o fato dela estar com o uniforme da SOMAR (a autarquia de obras e serviços de Maricá, cidade da região dos lagos do estado do Rio de Janeiro), justamente no setor da VARRIÇÃO, aquele setor que faça chuva ou faça sol (e que sol e calor vem fazendo por aqui desde meados da primavera em outubro), estão nas ruas limpando, cuidando e conservando, mantendo a cidade limpa, em um hercúleo trabalho onde poucos são devidamente valorizados, e ainda se deparam com uma grande quantidade de moradores e passantes MAL EDUCADOS que não sabem cuidar da sua rua, do seu bairro e da sua cidade.

Na verdade, deveríamos ter colocado essa matéria no ar no dia 1º de maio, em homenagem ao DIA DO TRABALHADOR, mas analisando de melhor forma, seria apenas mais uma matéria sobre a data, e logo seria esquecida. E essa menina, merece mais do que um dia, merece sim, destaque no ANO TODO.

Entramos em contato e a convidamos para que ela pudesse falar um pouco de sua vida, do seu digno trabalho servindo de exemplo e motivação para outras pessoas, principalmente outros jovens em início de carreira.

O nome dela é Amanda Regina Pereira (23), nascida em Maricá e moradora do bairro "Vale Da Figueira" desde que nasceu. Solteira, é mãe de 3 filhos lindos. 

Flamenguista, curte saborear um belo estrogonofe, acompanhado de Fanta uva ou de uma Brahma bem gelada. Adora passear em shoppings e curtir uma deliciosa praia com os amigos. Quando está em casa, adora assistir televisão e zapear pela internet. 

Atualmente tem namorado (que sempre que ela precisa à ajuda, mas Amanda deixou claro que sempre luta pela sua independência).

Parou os estudos devido as três gravidez mas como no domingo dia 28 de abril se internou para fazer sua laqueadura (sonho que acalentava desde seu terceiro parto) e graçasa Deus, a operação foi um sucesso, Amanda agora tem a certeza que poderá voltar aos estudos.

Mas vamos deixar que ela mesmo conte um pouco da sua vida: "Primeiro, muito obrigada pela oportunidade de estar aqui no CULTURARTE falando um pouco de mim, da minha vida, meu trabalho e meus sonhos. 

Então vou falar um pouquinho de mim. Aos 15 anos engravidei do meu primeiro filho, daí parei com meus estudos tive que me virar sozinha e contar mais do que nunca com a ajuda da minha mãe e da minha avó.

Eu morava com minha mãe, mas meu avô me deu uma casa própria para eu seguir minha vida. Em 2018, engravidei do meu segundo filho (meu sonho mesmo sempre foi ter uma princesa) e em 2021 engravidei novamente da minha tão sonhada princesa.

Quando ela completou um mês de vida, aconteceu uma tragédia comigo (fui estuprada dentro da minha casa). Poderia ter sido muito pior (minha princesinha estava comigo) e hoje em dia eu agradeço muito a Deus por nada de pior ter acontecido com nós duas.

Novamente tive que vir morar com minha mãe por uns meses. Entrei em profunda depressão, tinha medo até da minha sombra, tentei tirar minha vida, pois o que me aconteceu não foi nada bom. Eu tinha vergonha de andar na rua depois desse acontecido, não conseguia nem andar sozinha, deixei de usar várias tipos de roupas, mas tudo por conta da violência pela qual passei.

Em 2023 no dia 16 de junho, recebi uma proposta de trabalho que eu imaginei que iria mudar minha vida, para trabalhar na  empresa "Espaço-Somar". Eu não pensei duas vezes, pois precisava botar o alimento dos meus filhos dentro de casa. O o trabalho era para começar imediatamente e eu não tinha com quem deixar minha princesa "Rhayara". Postei várias divulgações de babá e nada, por fim, minha ex-cunhada se ofereceu para ficar com ela e eu como eu já a conhecia, resolvi deixar. Finalmente comecei a trabalhar e a trazer o sustento para dentro da minha casa.

Minha rotina

Minha rotina do dia a dia é acordar às 03:30h da manhã para me arrumar, ajeitar as coisas e às 04:20 acordar minha filha para levá-la até a casa da babá, que é bem distante da minha casa. No começo foi muito cansativo tudo isso indo debaixo de chuva, sol e vento, mas eu tinha que levar.

Agradeci muito a Deus que o pai dos meus dois filhos que é  uma pessoa maravilhosa (não tenho o que reclamar nada dele) levou meus meninos para morar com ele em Ponta Negra.

Fiquei morando só com minha princesa, sustentando até hoje tudo sozinha. Sou muito grata a Deus por ser "Mãe e Pai" dela e agradeço muito de quem desacreditou da minha pessoa que falaram que eu não ia conseguir conquistar meus objetivos e hoje, eu estou aí na minha luta firme e forte.

Muitos me perguntam se eu tenho vergonha do meu trabalho que é a "Varrição" e um respondo; 'muito pelo contrário, eu tenho orgulho do meu trabalho e não vergonha. Agradeço a ajuda de todos os meus amigos e familiares pela força que me deram para continuar a minha vida.

Ainda sou nova, tenho uma vida inteira pela frente e muitos me perguntam se não penso em terminar meus estudos. Sim claro que penso, eu pretendo fazer o Encceja esse ano para terminar o ensino médio e aí sim, penso em mudar de profissão. 

Fui criada pela minha mãe e pela minha avó paterna, perdi meu pai num acidente de caminhão quando eu tinha apenas 25 dias de nascida e não conheci ele, mas pela graça de Deus, sou grata à tudo que Papai do Céu tem proporcionado em minha vida.

Devagarinho estou conseguindo minhas coisas de casa, tudo novo graças ao meu trabalho, então é isso gente, esse é o pequeno resumo da minha vida, meu dia a dia e no que de mais triste e marcante me aconteceu mas que superei (foi muito difícil, as marcas estão em mim até hoje, no corpo e na alma), mas venci! Pretendo sempre dar o melhor para os meus filhos. 


Meu trabalho é minha alegria. Na Varrição ganhei uma família que me abraçou, ganhei vários amigos e irmãos que quero levar para o resto da minha vida" explicou.

E pedimos para Amanda deixar um recado para as meninas de sua idade, e que infelizmente estejam passando ou tenham passado por fatos semelhantes aos quais ela passou:

"Que elas não passem por tudo que já passei, e que lutem sempre para serem jovens trabalhadoras independentes, pois a melhor coisa que existe e a nossa independência, não é? 

Agradeço ao prefeito Fabiano Horta, ao deputado Renato Machado e a  Espaço Somar. Gratidão é a palavra que resume tudo isso.

Obrigada à todos vocês do CULTURARTE mesmo por tudo e pela força, de coração! Só gratidão" concluiu Amanda, que está no processo de seleção para a escolha da Musa de Maricá 2024.

Em reconhecimento ao seu maravilhoso trabalho, Amanda foi convidada para estampar um dos out-doors da campanha de 1º de maio da prefeitura de Maricá, e você pode vê-la todos os dias às margens da RJ 106, ou ao vivo, na lagoa de Araçatiba.






quarta-feira, 1 de maio de 2024

AYRTON SENNA: o legado, a luz e a sombra do eterno maior campeão

 Poucos atletas chegaram ao nível do piloto brasileiro. Luz que brilha há décadas, mas também uma sombra em cima daqueles que vieram depois


Ayrton Senna alcançou um patamar que poucos atletas, em nível mundial, conseguiram. Mais que um esportista de sucesso, se tornou um ícone nacional. Sua partida deixou um vácuo jamais preenchido no imaginário popular brasileiro. Imagem tão grande que, inevitavelmente, formou uma sombra. O peso do legado de Senna foi exagerado sobre quem veio depois.

É impossível dar a medida do que foi e o que representou Ayrton Senna em números. Ainda que seus três títulos, 41 vitórias e 65 pole positions sejam significativos, os números de décadas passadas tendem a parecer menores hoje, com olhos acostumados às marcas inflacionadas por temporadas cada vez mais longas e carreiras cada vez mais longevas.

Senna foi muito mais que estatísticas impressionantes. Em uma carreira relativamente curta, o brasileiro galgou níveis rapidamente. Em pouco tempo, passou de um ótimo piloto a um piloto excelente, logo escalou para o posto de gênio até chegar a ser considerado por muitos o maior de todos os tempos em seu esporte.

Perante o público brasileiro, Senna foi revolucionário. A audiência local, que começava a tomar gosto pela Fórmula 1 graças às conquistas e aos talentos de Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet, ganhou mais um piloto para torcer. E não demorou até que Senna virasse o queridinho do torcedor. A F1, até então um esporte de nicho, ganhou as massas com Senna puxando o bonde e angariando uma legião incontável de fãs. Um novo hábito nacional foi criado com o sucesso de Senna: juntar a família para assistir e vibrar com corridas de carros.

Mais que uma referência do esporte, ele se tornou um ídolo nacional e internacional. Uma celebridade da primeira prateleira. O mundo via surgir alguém para sentar-se ao lado de caras como Pelé, Muhammad Ali, Michael Jordan e alguns poucos outros no Olimpo dos grandes atletas da história. Sua carreira e sua vida eram observadas com olhos atentos pelos fãs brasileiros.

E, para completar o combo, essa figura que despontava perante o mundo fazia questão de gritar por onde passasse que era brasileiro, com muito orgulho e com muito amor. Sempre carregando a bandeira verde-louro em seus momentos de glória, cunhando frases motivacionais e inspirando uma geração a ir além, buscar o limite, almejar o sucesso, superar obstáculos, perseguir sonhos e manter o foco. Uma cuidadosa e muito bem sucedida construção de imagem que rendeu frutos.

Senna se tornou o pacote completo. Um atleta de exímio talento, dedicação ímpar, sucesso irrefutável, carisma único e que, mesmo com defeitos inerentes a qualquer ser humano, conseguiu construir e manter uma persona pública exemplar, distante de grandes controvérsias e polêmicas (ok, nas pistas houve algumas...).

Basta notar que, 30 anos depois de sua morte, seu legado está sendo exaustivamente rememorado na imprensa. Pense rapidamente em quantas pessoas conseguiriam movimentar a mídia de forma tão intensa 30 anos depois de sua morte. Pois bem, esse é o tamanho de Ayrton Senna.

Um posto vazio

Sua morte no auge da forma, em pleno exercício de sua profissão e perante os olhos do mundo causou um choque digno de alguns poucos fatos históricos que se tenha registro. Um trauma tão grande que qualquer brasileiro com mais de 40 anos é capaz de contar com precisão o que estava fazendo naquela fatídica manhã de 1º de maio de 1994. Trauma esse que não se vai com facilidade – se é que um dia vai.

Eu (jornalista Pery Salgado), que na época tinha outros afazeres além do jornalismo, estava naquela tarde, dentro da minha loja (uma delicatessen e um grande depósito de bebidas na cidade de Maricá no estado do Rio de Janeiro) ouvindo o rádio com a transmissão e literalmente meu mundo desabou com o acontecido. Lembro da tristeza dos clientes que ali estavam, todos saindo para suas casas de cabeças baixas, alguns já chorando.

Aos domingos costumava ficar com a loja aberta at[e às18 horas, mas neste domingo fechei bem mais cedo e fui para frente da televisão ainda torcer para uma possível recuperação do grande ídolo e exemplo nacional, recuperação que fisicamente não veio - nosso mundo parou - mas que espiritualmente me fez crescer muito e acreditar ainda mais na missão que temos aqui quando encarnados em cada existência.

Senna se foi naquele 1º de maio, mas o mundo continuou. E o mundo teve que aprender a continuar sem Senna.

O vazio que ocupou repentinamente o posto de maior referência do esporte brasileiro segue lá, sem preenchimento. É verdade que houveram nomes que brilharam em certos momentos e ocuparam posições de destaque no imaginário popular: Guga, Romário, Ronaldo, Oscar, Hortência, Popó, Cesar Cielo, Rebecca Andrade, Anderson Silva e até Neymar alcançaram os níveis mais altos em seus esportes e uma boa reputação perante o grande público, mas Senna jamais deixou de reluzir como o grande baluarte do esporte brasileiro, ao lado apenas de Pelé.

Inspiração para uma geração

A enorme popularidade alcançada pelo automobilismo no Brasil com o fenômeno Senna fez do esporte um sonho de muito dos meninos que cresceram assistindo corridas domingo sim-domingo não. Não foram poucos aqueles que puderam se arriscar no incrível mundo das corridas de carros e conseguiram progredir na carreira.

O Brasil passou a formar pilotos em quantidade e com qualidade – ainda que suas carreiras maturassem no exterior. A sequência de sucessos iniciada com Emerson, elevada por Piquet e alçada a outra dimensão por Senna aumentou exponencialmente a reputação do piloto brasileiro. “O que há na água do Brasil?”, se preguntavam os europeus e americanos, com a enxurrada de brazucas correndo (e vencendo) na porção norte do globo. Piloto brasileiro virou grife.

A grande exposição do automobilismo no Brasil naqueles tempos facilitava a busca por patrocínios, que abriam portas aos jovens talentos brasileiros ao redor do mundo. Entre o tricampeonato de Senna, em 1991, até os 10 anos seguintes à sua morte, nada menos que 11 pilotos brasileiros chegaram à F1. Outra dezena alcançou a CART/IRL, nos EUA.

A grande sombra

Acontece que, por mais que todos esses sejam bons pilotos, com virtudes e competência, nenhum deles é Ayrton Senna. E isso, perante os olhos de boa parte da opinião pública brasileira, era um problema. Senna se foi sem aviso e sem preparar um substituto. Para muita gente, o vazio por ele deixado precisava ser preenchido por outro piloto. E esse peso caiu de forma mais cruel em cima dos dois nomes de maior sucesso da geração seguinte.

O tempo mostrou que uma parte considerável do novo público que se formou durante a era Senna não gostava, de fato, de assistir e entender a Fórmula 1. O interesse e o prazer estavam em ver um brasileiro ganhar. Em partes, pode-se creditar esse costume à forma como se dava parte importante da cobertura na época, que, por um lado, ajudou a projetar e exaltar a imagem vencedora de Senna, e, por outro, “ensinou” o público que apenas a vitória do brasileiro importava, suprimindo as várias camadas e complexidades do esporte.

Rubens Barrichello chegou a dividir as pistas com Senna quando ainda iniciava sua trajetória na F1. Com a partida de seu ídolo, coube a ele a missão (e o peso) de carregar o legado do Brasil nas pistas. Na ótica de grande parte do público, ele deveria vencer, e rápido. O fato de o então garoto Rubinho pilotar uma simples Jordan nos anos seguintes, depois uma também modesta Stewart, não importava. Vencer era obrigação. Quando chegou a uma equipe de ponta, a cobrança subiu ainda mais de tom, sem se importar que ao seu lado estaria o piloto que reconstruiu a Ferrari e para quem a equipe, assumidamente, trabalharia.

Felipe Massa chegou mais rápido à Ferrari, e também não demorou a ser cobrado por títulos e vitórias. Assim com Rubinho, ou vencia, ou seria taxado de “roda presa” por esse público pautado pelo tudo ou nada.

Ambos construíram carreiras vitoriosas na categoria, com 11 vitórias cada, dois vices de Rubinho e um de Massa. São marcas que os colocam entre os grandes de suas gerações. Barrichello chegou a carregar por anos o recorde de mais corridas na história da F1, o que só atesta seu valor enquanto piloto.

A imagem de Senna, grande demais no imaginário popular, fazia uma sombra enorme sobre aqueles que chegavam à Fórmula 1. Barrichello e Massa tiveram suas luzes, em partes, ofuscadas por essa sombra.

Faça-se luz!

A cobrança por um “novo Senna” colocou uma pressão desnecessária e desmedida sobre pilotos de toda uma geração que veio no embalo do ídolo, enquanto o país buscava desesperadamente por alguém para ocupar seu lugar de grande referência.

É claro que categorias de base bem estruturadas, patrocínios e equipes dispostos a apoiar, preparação física, técnica e mental são fundamentais na formação de pilotos e de atletas de qualquer esporte. Mas a dura verdade é só uma: jamais haverá outro Ayrton Senna.

A combinação única de altas doses de talento raro, foco, motivação, dedicação, garra, ambição, carisma e inspiração não pode ser ensinada. É o dom que, quem tem, tem de nascença. Senna nasceu com o pacote completo. Uma máquina de pilotar. Um raio que só cai uma vez.

30 anos depois de sua morte, sua imagem segue inabalável e incontestada como a do grande ídolo do esporte brasileiro dos últimos 50 anos - e nada indica uma mudança nesse cenário. Cabe a nós mantermos seu legado vivo, respeitando aquele que foi e ainda é uma referência e entendendo que ninguém pode ser cobrado com um sarrafo tão alto. Há espaço para que todos que venham construam seus nomes e deixem suas marcas, com trabalho, competência e paixão. Sem comparações.

Quantos aos dois citados no texto, é reconfortante ver o reconhecimento e o carinho que o público tem demonstrado com ambos por onde passam com a Stock Car. Que bom que Barrichello e Massa puderam voltar a correr no Brasil e concluir suas carreiras próximos ao público local, confirmando aquilo que sempre mostraram pelo mundo: são grandes!

Com um distanciamento maior desde a fatídica morte de Senna, sua imagem é alçada cada vez mais às alturas, mais próxima aos Deuses do esporte. De lá, sua sombra vai se tornando menor para os meros mortais. Que haja luz para os que chegam, sob os olhos e à benção do grande Ayrton Senna!