Ela foi promovida numa sexta-feira. Na segunda, já almoçava diante do computador.
Em poucos meses, o salário aumentou, o nome passou a aparecer nas reuniões importantes e as pessoas começaram a tratá-la com um respeito que antes não existia.
Também vieram a insônia, a irritação em casa e o medo constante de não conseguir manter o lugar conquistado.
Para todos, ela estava crescendo.
Na prática, estava apenas subindo.
Nossa sociedade entende bem de altura. Compara cargos, casas, corpos, viagens, resultados. Sabe identificar quem chegou primeiro e quem ficou para trás.
Quase nunca considera quanto daquela conquista foi pago com saúde, afeto, descanso e liberdade.
A perfeição faz muita gente viver escondendo qualquer sinal de cansaço. O status obriga a sustentar uma aparência, mesmo quando tudo já perdeu o sentido.
A comparação transforma a vida alheia numa régua permanente. A pressa rouba o gosto das coisas antes que elas possam ser vividas.
Por fora, movimento. Por dentro, uma pessoa que já não consegue passar uma tarde sem culpa, recusar um pedido sem medo ou receber uma crítica sem sentir que perdeu valor.
Crescimento aparece em mudanças menos vistosas. Alguém que começa a dizer “não” antes de chegar ao esgotamento e as doenças começam a aparecer.
Uma mulher que interrompe uma relação onde precisava diminuir a própria voz. Uma mulher que se cala e que acaba se oprimindo.
Um ser que pede ajuda depois de passar anos fingindo controle. Uma pessoa que aceita ganhar menos para voltar a dormir, conviver, cuidar do corpo e reconhecer a própria vida.
Nada disso costuma receber aplausos. Ainda assim, exige uma coragem maior do que continuar correndo.
Subir modifica o lugar que ocupamos diante dos outros.
Crescer modifica a maneira como habitamos esse lugar, como tratamos quem caminha conosco e o quanto de nós permanece vivo depois de cada conquista.
Chegar mais alto perdendo o sono, os vínculos e a própria voz deixa uma conta que o tempo sempre cobra.
Sejamos então como a LUA, que vive muitas vezes sozinha, mas nunca deixa de brilhar. Ou que sejamos com o nosso Astro Rei, aprendendo a crescer, sabendo subir, ascender sem medo de que às vezes essa caminhada acontece sozinha, mas como o Sol, que também é solitário, mas nunca deixa de brilhar!!!
Imagens: arquivo CULTURARTE
Realização: PR PRODUÇÕES




























































