segunda-feira, 27 de abril de 2026

LINDA E PERIGOSA: A mulher que matou o maior número de pessoas na história, segundo o Guinness World Records

 


A história tem uma maneira de transformar mulheres poderosas em lendas. Elizabeth Báthory, uma nobre húngara e suposta serial killer dos séculos XVI e XVII, está certamente no topo da lista, pois, mesmo 400 anos após sua morte, ela continua a inspirar contos de horror e sadismo. Considerada a assassina feminina que mais matou no mundo pelo Guinness World Records, Báthory teria assassinado mais de 600 meninas para satisfazer sua necessidade de sangue. Mas, como a maioria dos eventos históricos, a biografia dela é complicada.

Mas a condessa era uma assassina a sangue frio e torturadora? Ou foi vítima de uma grande conspiração? Na foto acima, a atriz Anna Friel caracterizada como Elizabeth Báthory no filme 'Condessa de Sangue' (2008).

Elizabeth Báthory (em húngaro: Báthory Erzsébet) nasceu em 7 de agosto de 1560, em Nyírbátor. Ela fazia parte da nobreza protestante da Hungria e a família dela controlava a Transilvânia.

Seu tio, Stephen Báthory (imagem acima), era o Rei da Polônia. Ela foi criada no castelo da família em Ecséd até os 15 anos quando se casou.

Em 1575, ela subiu ao altar com o Conde Ferenc Nádasdy. Ele era membro de uma família rica e nobre como a dela, mas a dela era mais influente. Após se casar, a Condessa se mudou para o Castelo de Čachtice, a casa de seu marido, situada nos Pequenos Cárpatos, região da atual Eslováquia.

Uma mulher de muitos talentos

Nádasdy (imagem abaixo)era um soldado nas Guerras Otomanas-Húngaras, por isso Elizabeth Báthory era quem gerenciava os negócios e as propriedades. E ela aparentemente era muito boa nisso.

Embora os rumores de sua natureza sádica circulassem há anos, eles foram repetidamente ignorados, em grande parte porque as vítimas eram camponesas. Foi só quando seu marido Nádasdy morreu, em 1604, que as evidências começaram a surgir. Ela tinha 40 anos. De acordo com os depoimentos, as vítimas iniciais de Elizabeth Báthory eram meninas serviçais com idades entre 10 e 14 anos.

Primeiras vítimas

Segundo relatos, as vítimas eram filhas de fazendeiros vizinhos, atraídas para a Čachtice com promessas de empregos bem remunerados como criadas no castelo. Alega-se também que a condessa começou a assassinar filhas de nobres de baixa patente, que eram enviadas pelos pais ao seu castelo para aulas de etiqueta. 

Dizem também que a Condessa começou a matar filhas da nobreza menor, que eram enviadas ao seu castelo por seus pais para aprender etiqueta. Outras testemunhas também disseram que ela usou agulhas para torturar suas vítimas. Outros ainda acrescentaram que ela queimou as meninas com pinças quentes e depois as colocou em água gelada. Há também relatos dizendo que ela cobria suas vítimas com mel e formigas vivas.

Sede de sangue

Elizabeth Báthory também é suspeita de se alimentar de suas vítimas, embora não haja evidências para apoiar essa alegação.

A Condessa é talvez mais famosa na cultura popular por supostamente beber o sangue de suas vítimas. As lendas também afirmam que ela se banhava no sangue de suas jovens vítimas na tentativa de preservar sua juventude.

Investigações

Em 1610, o rei Matthias II (imagem acima) designou György Thurzó (imagem abaixo), o Palatino da Hungria, para investigar a Condessa. Thurzó (imagem abaixo) ordenou que dois oficiais coletassem informações. Eles conseguiram depoimentos de mais de 300 testemunhas entre 1610 e 1611. Thurzó prendeu a Condessa no castelo junto com quatro supostos cúmplices. Os homens de Thurzó teriam encontrado uma garota morta, uma morrendo e outra ferida, enquanto outras meninas eram mantidas presas.

Julgamento

Os servos de Báthory foram acusados de serem seus cúmplices e foram julgados. Mas a influência e o status social da Condessa a impediam de ser levada ao tribunal.

Dezenas de testemunhas depuseram contra a Condessa. Embora Thurzó, o detetive, tenha determinado que a Condessa havia torturado e matado mais de 600 meninas, a contagem oficial no julgamento era de 80. Embora nunca tenha sido julgada, a Condessa Báthory ficou confinada em seus aposentos no Castelo Čachtice. A Condessa teria sido trancada em um conjunto de quartos, com apenas pequenas fendas abertas para ventilação e passagem de alimentos. Ela permaneceu lá até morrer três anos depois, em 21 de agosto de 1614.

Legado (???)

Embora as evidências do julgamento apoiem as acusações contra Báthory, pesquisas mais recentes questionam a veracidade das alegações. Ela era uma mulher poderosa e competente que governava sua propriedade eficientemente, o que sugere que havia razões políticas para tirá-la de cena. 

Além disso, o Rei Matthias II devia uma grande soma de dinheiro à família Báthory, dívida esta que foi cancelada depois do escândalo, aumentando ainda mais a hipótese de que as acusações contra ela foram calúnias fabricadas que permitiram a seus parentes se apropriarem de suas terras.




O PODER DAS 'MULHERES RUIVAS'

 O "poder" das mulheres ruivas, muitas vezes considerado místico, é uma mistura de raridade genética (apenas 1-2% da população mundial) com fortes associações culturais.


Sim, elas são especiais não apenas no aspecto físico, mas já está constatado por diversos estudos e pesquisas que cientificamente, possuem "superpoderes" como maior resistência à dor, enquanto culturalmente evocam intensidade, sedução, autenticidade e liderança, sendo frequentemente vistas como figuras magnéticas e confiantes. 

Aspectos Científicos e Genéticos (Os "Superpoderes")

Resistência à Dor: Estudos da Universidade McGill mostraram que mulheres ruivas podem suportar cerca de 25% mais dor do que loiras ou morenas, devido a uma mutação no gene MC1R.

Sensibilidade Térmica: O mesmo gene MC1R faz com que ruivos sejam mais sensíveis a mudanças de temperatura (frio e calor), relatam estudos da Universidade de Louisville.

Produção de Vitamina D: Devido à pele clara, ruivos têm maior facilidade em absorver luz solar e produzir vitamina D, o que beneficia o sistema imunológico e a força muscular.

Sensibilidade à anestesia: Embora resistam mais à dor, relatos indicam que podem precisar de doses diferentes de anestesia. 

Poder Cultural e Simbólico

Raridade e Mistério: Por serem raras, as ruivas sempre foram alvo de fascínio, muitas vezes associadas a lendas, contos de fadas e figuras poderosas/problemáticas da história e literatura.

Intensidade e Personalidade: O ruivo é associado à paixão, energia e força emocional. No aparência e visibilidade, transmite uma imagem de ousadia, criatividade e autenticidade.

Ícones de Moda e Estilo: O tom é sinônimo de "poder" no cenário da moda e no cinema, com celebridades como Nicole Kidman e Anya Taylor-Joy reforçando a imagem de protagonistas marcantes.

Associação à Beleza e Sedução: Frequentemente percebidas como confiantes, intensas e com forte apelo magnético. 

Em suma, as mulheres ruivas carregam uma herança genética única que se traduz em características físicas distintas e uma reputação cultural de força e inconfundibilidade.


Pesquisa: Pery Salgado (jornalista)
Imagens: arquivo CULTURARTE
Realização: PR PRODUÇÕES











sexta-feira, 24 de abril de 2026

CULTURARTE 308 - abril de 2026 (segunda edição)

CULTURARTE 308
abril de 2026 (segunda edição)



- SALVE SÃO JORGE, SALVE OGUM (SALVE OXÓSSI). Salve o mais 'carioca' de todos os santos. Conheça sua história!
- Pela sua coragem, NADIA MURAD se tornou a primeira iraquiana e receber o Prêmio Nobel
- O verdadeiro brilho está na mulher que aprendeu a não desistir de si
- A história de vida e superação de MAELLE CHAVES (mulher trans)
- DIANA SIROKAI (modelo plus size internacional) e o poder de aceitação do corpo

Tudo isso na segunda edição do mês de abril do Informativo CULTURARTE, já circulando nas versões on line e revista eletrônica.











O SEXO CASUAL E O MONSTRO NA SUA CAMA

Você acha que aquilo ficou no motel... ou na mensagem apagada do aplicativo. Volta para casa, toma banho, deita ao lado de quem ama e dorme achando que ninguém viu. Só que alguém voltou com você. Aliás... vários alguéns.

Há um relato perturbador nas páginas de Manoel Philomeno de Miranda sobre homens e mulheres de fachada impecável que, ao adormecer, desdobram-se para ambientes que a doutrina chama de lupanares espirituais. Ali encontram velhos parceiros invisíveis, presos a sensações que já não podem ter sozinhos, e o conúbio continua em outro nível. Você já se perguntou de onde vem aquele cansaço... que sono nenhum cura?

A neurociência do vínculo descreve a liberação massiva de ocitocina e vasopressina em qualquer encontro sexual, hormônios que forjam laço profundo independente da sua intenção consciente. A doutrina espírita descreve o mesmo laço em outra camada... cada encontro imprime no perispírito uma assinatura magnética que sabão nenhum lava. 

Ciência e mística atravessam o mesmo rio por pontes diferentes. Essas inteligências se instalam, bebem da sua vitalidade, amplificam ansiedade, insônia, compulsão. Virou hábito, virou dependência, virou neurose. Não foi só uma noite. Foi um contrato silencioso.

Prazer sem consciência cobra juros.

Não é sobre reprimir, é sobre escolher. Antes do próximo encontro, pare e pergunte: eu busco intimidade... ou fujo de mim mesmo? Nós não fomos feitos para servir de depósito energético a ninguém. Você merece um amor que te leve inteiro de volta pra casa.






terça-feira, 21 de abril de 2026

Pela sua coragem, Nadia Murad se tornou a primeira iraquiana a receber o Prêmio Nobel da Paz


 Em 3 de agosto de 2014, o som dos motores na região de Sinjar, no Iraque, não anunciava progresso — marcava o início de um pesadelo. Em um único dia, uma comunidade inteira foi praticamente apagada.

Nadia Murad tinha apenas 21 anos quando seu mundo virou cinzas.

Pelo simples fato de pertencer à minoria yazidi, terroristas do Estado Islâmico decidiram que sua família não tinha o direito de viver. Seis de seus irmãos e sua mãe foram executados. Nadia não teve tempo de chorar por eles — foi colocada à força em um ônibus e transformada em “propriedade”.

O que veio depois foi um verdadeiro mergulho no inferno. Em Mosul, Nadia deixou de ser vista como pessoa — era tratada como mercadoria. 

Em apenas três meses, foi comprada e vendida sete vezes. Sofreu agressões e abusos constantes, com um único objetivo: destruí-la por completo.

Mas Nadia resistiu.

Em novembro daquele mesmo ano, surgiu uma chance: uma porta esquecida aberta. Na escuridão da noite, ela conseguiu fugir. Uma família muçulmana, arriscando a própria vida, a acolheu e ajudou a escapar das mãos do califado.

Muitos tentariam se esconder e esquecer. Nadia fez o oposto — escolheu lembrar.

Aos 22 anos, falou diante do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Jovem, de aparência frágil, mas com uma voz que ecoou pelos centros de poder. Sem suavizar a realidade, contou ao mundo o que seu povo havia sofrido.

Sua coragem conseguiu o que a política não alcançou. Em 2018, aos 25 anos, Nadia Murad se tornou a primeira iraquiana a receber o Prêmio Nobel da Paz. Ainda assim, enquanto era aplaudida em Oslo, seu desejo continuava o mesmo: a liberdade daqueles que ainda permaneciam em cativeiro.

Hoje, Nadia transformou sua dor em luta por justiça por meio da organização Nadia’s Initiative. Sua história é prova de que o sofrimento pode se transformar em propósito.

Nadia não apenas sobreviveu — ela venceu ao se recusar a ser definida como vítima. Porque quando a verdade é usada como força, não existe escuridão capaz de apagá-la.

Veja o poderoso discurso da vencedora do Nobel da Paz de 2018 ao ser nomeada embaixadora da ONU

Nadia Murad, ex-escrava sexual do Estado Islâmico, luta para combater o estupro como uma arma de guerra

Confira o poderoso discurso de Nadia Murad ao ser nomeada a primeira embaixadora da Boa Vontade da ONU para a Dignidade de Sobreviventes do Tráfico Humano em 2016.

"Se decapitações, escravização sexual, estupro de crianças e o deslocamento de milhões de pessoas não fazem vocês tomarem uma atitude, quando vocês tomarão uma atitude? A vida não foi criada somente para vocês e suas famílias. Nós também queremos a vida e merecemos vivê-la", disse a ativista no vídeo divulgado pela ONU Brasil em suas redes sociais.

Nadia foi sequestrada pelo E. I. - Estado Islâmico, junto com milhares de outras mulheres e meninas da minoria Yazidi quando o grupo terrorista invadiu sua terra natal, no Norte do Iraque, em agosto de 2014. Foi selecionada pelo E.I. para ser estuprada. No entanto, diferentemente da maioria das mulheres que conseguiram fugir e que preferem esconder suas identidades, Nadia, ao escapar, insistiu com repórteres que a identificassem e fotografassem. Ela embarcou numa campanha mundial, falando diante do Conselho de Segurança da ONU, no Congresso americano, na Câmara dos Comuns do Reino Unido e em outras casas políticas em várias nações.

"Hoje eu quero transmitir uma mensagem de todas as vítimas e refugiados de todo o mundo porque vocês como líderes mundiais devem saber que tudo que fazem impactam positivamente ou negativamente na vida das pessoas simples como eu. Vocês decidem se haverá guerra ou paz. Vocês decidem dar esperança ou criar sofrimento. São vocês que decidem se outra garota, assim como eu, em outro lugar do mundo, poderá seguir com sua vida normal ou será forçada, como eu fui, a experienciar sofrimento, servidão ou estupro",  afirmou no discurso de 2016.

Enquanto estava nas mãos dos jihadistas, Nadia recebeu ajuda de uma família muçulmana em Mosul e obteve documentos de identidade que lhe permitiram chegar ao Curdistão iraquiano. Após a fuga, três meses depois do sequestro, a jovem - que disse ter perdido seis irmãos e sua mãe no conflito - morava em um campo de refugiados no Curdistão, onde fez contato com uma organização humanitária que ajuda os yazidis. Isso permitiu que ela conseguisse ir para a Alemanha, país em que atualmente vive.

"Devemos por um fim às guerras e colocar a humanidade em primeiro lugar. Devemos levar a Justiça a todos aqueles que cometeram crimes de genocídio e crimes contra a humanidade. Organizações extremistas e terroristas, como o Estado Islâmico e o Boko Haram, são a principal causa do deslocamento de milhões de pessoas, devemos eliminar todos esses monstros agora. Sim, agora. Até que a segurança se estabeleça nas áreas de conflito, nós não podemos fechar as portas nas caras de mulheres e crianças inocentes, aqueles que sofreram calamidades. Devemos estar junto das pessoas perseguidas. O mundo só tem uma fronteira, se chama humanidade", ressaltou.

A ativista contou sua história na autobiografia "The last girl" ("A última garota"), recém-publicada. 

O título remete a uma frase no livro: "Eu quero ser a última garota no mundo com uma história como a minha".

Confira abaixo o seu discurso na ONU:

Reconhecimento e Legado

Prêmio Nobel da Paz: Recebeu a honraria em 2018, dividindo o prêmio com o médico Denis Mukwege.

Livro: Publicou sua biografia intitulada "Que Eu Seja a Última", onde detalha os horrores que viveu e sua jornada por justiça.

Código Murad: Criou diretrizes internacionais para que testemunhos de violência sexual sejam colhidos com respeito e segurança para as vítimas. 

Ponto de Apoio: Se você ou alguém que você conhece está passando por uma situação de violência, procure ajuda. 

No Brasil, o Ligue 180 é a Central de Atendimento à Mulher, um serviço gratuito e confidencial que oferece orientações e encaminhamentos.


Pesquisa: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES