Com o seu grande sucesso, ela fez uma participação especial nas gravações das cenas da novela “Em Família”, onde rolou uma festa no Vidigal. A DJ Grazy comandou a pista com o seu som que embala as noites cariocas.
“Minha produtora na época, a Dani Ribeiro, me ligou às 8 horas. Eu estava na agência pegando meu carro novo, uma conquista que o Funk me deu e, de lá, ia para o trabalho. Ela contou que estavam procurando uma DJ mulher para gravar essa cena da novela e fui indicada, larguei tudo. Liguei para o trabalho e disse que estava passando mal! Fui ao shopping me encontrar com a Dani, comprei uma roupa nova e fui ao Vidigal com meu carro novo que não sabia nem dirigir direito porque ainda não tinha me acostumado. E, para subir o Vidigal, aff, foi tenso. Adrenalina do início ao fim” – DJ Grazy.
No ano de 2013, ela foi convidada para ser capa da Revista Sepetiba News, junto com seu amigo MC Márcio G, onde os fãs dela puderam conhecer mais sobre seu trabalho.
“Fui convidada para essa entrevista e contar um pouco da minha história, foi muito bom” – DJ Grazy.
Festa da Grazy, esse era o nome do programa em que a DJ se apresentava diariamente na rádio Sociedade FM de Volta Redonda. Também foi convidada a participar do programa O Som do Galerão na Rádio Beat 98, na mesma época fez uma participação especial na rádio FM O Dia…
“Foi uma experiência enriquecedora, fui convidada pelo grande Sérgio Mamma para fazer essa participação no programa Chá com Bolacha que rolava a ‘Festa da Grazy’. Só gratidão por todas as experiências.
Fui convidada para participar do Som do Galerão na rádio FM O Dia pelo DJ Tubarão e DJ Caverna, fiquei um pouco nervosa, mas foi bom demais. A primeira vez foi no Batidão Net pelo DJ Bob Braw, e depois foi pelo DJ MP4.” – DJ Grazy.
Com o seu grande sucesso, logo ela foi DJ residente do Baile da Gaiola Original, evento que acontecia na favela da Penha, passavam por lá mais de 30 mil pessoas todos os sábados.
“O DJ Pigmeu me apresentou para os donos do baile, que me pediram para tocar lá na favela onde existia um projeto de levar o baile para fora do Rio. Então, todos os sábados, eu estava lá tocando. Quando tinha evento fora no dia, eu ia e depois do evento concluído, eu voltava para o baile e ficava até meio-dia!” – DJ Grazy.
Depois da proibição, o baile de favela virou selo e foi levado para vários estados do Brasil, e mundo afora.
“O Baile conquistou espaço no Brasil e em outros países! Funk no mundo!” – DJ Grazy.
Logo, a DJ Grazy foi reconhecida não só no Brasil, mas no mundo. O Funk conquistou o seu lugar por direito e foi realmente reconhecido, mesmo sendo um som provindo das favelas cariocas.
Foi um dos marcos na carreira da Grazy, um tour pelos Estados Unidos (Washington, Newark, Orlando, San Francisco, Pompano Beach e Boston) e Europa (Leiria, Porto, Algarve, Setúbal e Inglaterra Londres) representou o Brasil levando o funk para o mundo!
“Quando chegava nos lugares, as pessoas eram sempre muito receptivas, carinhosas. Me deixavam à vontade. Então, eu largava o aço (risos) e o pessoal acompanhando e cantando todas as músicas que eu tocava. A troca de energia era assustada, eu ficava boba como o pessoal estava atualizado sobre os Funks que tocavam na favela.” – DJ Grazy.
Como a tour fora do país lhe foi marcante, a Grazy comentou como ela gostaria de reviver essas sensações novamente, e principalmente, Londres, que deixou um gostinho de quero mais.
“Todas foram marcantes na minha vida, cada uma tem um pedaço do meu coração, porém a de Londres foi assim, nem sei explicar! Gostaria de retornar em todas. (Risos)” – DJ Grazy.
O Funk ainda é taxado por uma boa parte da sociedade brasileira como apologia ao sexo e a criminalização. No entanto, tem ocupado grande espaço e mostrado a realidade e potência da cultura da periferia. Aos poucos, esse preconceito vai se dissipando. Faz parte da nossa cultura e são poucos os que levantam essa bandeira.
“Quem não aceitava achava que a mulher no Funk era algo de outro mundo. Para não falar a palavra exata que para mim, foi uma luta permanecer firme e, a todo momento, foi preciso eu provar que, sim, mulher pode também fazer o que quiser, inclusive as coisas que a sociedade obriga as pessoas a aceitarem padrões que só os homens podem exercer” – DJ Grazy.
Com o passar dos anos, foram surgindo várias mulheres, tanto na cena do Funk como em outras. Esse mercado da música só vem crescendo e a tendência é a cada vez mais surgirem DJs mulheres. No Funk, não é diferente, sempre aparecem novas personalidades, entretanto só permanece quem tem talento.
Perguntamos à Grazy como ela enfrenta os boatos que a DJ Barbara Labres falou que é a primeira DJ mulher e que não tem referências para se inspirar:
“Fico até com vergonha de ver isso, né mano, em pleno 2022! Só observo mesmo e vejo outras DJs por aí também se intitulando serem as primeiras DJ de Funk! Virou moda isso! Acho feio, né, porque percebemos que não estudaram nem o seguimento que tocam. E a Primeira DJ Mulher do Brasil foi a Sônia Abreu, ela tocava outro segmento musical. Mas, em relação ao Funk, tenho propriedade em falar, porque faço parte do movimento há 22 anos e a idade de muitos DJs por aí que se intitulam serem os primeiros, é muito triste. E para as brabas, manas na pista que sabem tocar e representam o movimento, eu bato palmas e meu coração enche de alegria! Vale colocar aqui também que sou DJ que na época nem tinha Instagram, minha gente (risos). A Internet era precária e os MCs vinham em minha direção para me entregar as músicas!
Além disso, não posso esquecer da minha amiga DJ Aurea, que tocava esses seguimentos (Soul, Black Music, Funk Melody Internacional) e tive a oportunidade de conhecê-la…” – DJ Grazy.
A DJ Grazy fala dos episódios que mais lhe marcaram durante esses anos de carreira.
“Ir ao programa da Fátima Bernardes foi muito marcante, foi um sonho e fazer uma participação, mesmo que pequena, no documentário na HBO foi tudo surreal. Viajar para outros países tocando Funk também foi um sonho.
Aliás, ser mulher, DJ e tocar Funk é um sonho!” – DJ Grazy.
Recentemente, a Grazy fez uma participação em um documentário pela HBO “A Voz das Poderosas” e nos descreve como ficou feliz em fazer essa participação tão especial.
“Me pediram autorização para exibir um trecho da minha imagem de um vídeo, mesmo sendo poucos segundos, foi maravilhoso ser lembrada em um documentário sobre Funk em especial no episódio 4: 'A voz das poderosas', um episódio sobre as mulheres no mundo do Funk. Fiquei muito feliz” – DJ Grazy.
E Grazy nos contou quais serão os seus projetos para o futuro:
“Estudei durante 1 ano na Boreal Music Academy, sobre tudo o que um artista precisa para cuidar de sua carreira, desde marketing, carreira, lançamento estratégico musical, todos os passos para consolidar uma carreira artística e, nesse final de ano, estou aplicando tudo o que aprendi com o artista de Rap, o Sl!m Beatz” – DJ Grazy.
Então é isso, a nossa Rainha DJ do Funk merece muito respeito por toda a trajetória que ela vem traçando, pois, é assim, com respeitando a todos, que ela chegou até aqui e tem cada vez mais capacidade e potência para entregar muito mais daqui para frente. Parabéns pela sua trajetória, DJ Grazy.
Não deixe de curtir a DJ GRAZY no NIGHT CAST: