quarta-feira, 26 de agosto de 2026

A ENORME DIFERENÇA DE CRESCER E SUBIR NA CARREIRA (principalmente para as mulheres!!!)

 


Ela foi promovida numa sexta-feira. Na segunda, já almoçava diante do computador. 


Em poucos meses, o salário aumentou, o nome passou a aparecer nas reuniões importantes e as pessoas começaram a tratá-la com um respeito que antes não existia. 

Também vieram a insônia, a irritação em casa e o medo constante de não conseguir manter o lugar conquistado.

Para todos, ela estava crescendo.

Na prática, estava apenas subindo.

Nossa sociedade entende bem de altura. Compara cargos, casas, corpos, viagens, resultados. Sabe identificar quem chegou primeiro e quem ficou para trás. 

Quase nunca considera quanto daquela conquista foi pago com saúde, afeto, descanso e liberdade.

A perfeição faz muita gente viver escondendo qualquer sinal de cansaço. O status obriga a sustentar uma aparência, mesmo quando tudo já perdeu o sentido. 

A comparação transforma a vida alheia numa régua permanente. A pressa rouba o gosto das coisas antes que elas possam ser vividas.

Por fora, movimento. Por dentro, uma pessoa que já não consegue passar uma tarde sem culpa, recusar um pedido sem medo ou receber uma crítica sem sentir que perdeu valor.

Crescimento aparece em mudanças menos vistosas. Alguém que começa a dizer “não” antes de chegar ao esgotamento e as doenças começam a aparecer. 

Uma mulher que interrompe uma relação onde precisava diminuir a própria voz. Uma mulher que se cala e que acaba se oprimindo.

Um ser que pede ajuda depois de passar anos fingindo controle. Uma pessoa que aceita ganhar menos para voltar a dormir, conviver, cuidar do corpo e reconhecer a própria vida.

Nada disso costuma receber aplausos. Ainda assim, exige uma coragem maior do que continuar correndo.

Subir modifica o lugar que ocupamos diante dos outros.

Crescer modifica a maneira como habitamos esse lugar, como tratamos quem caminha conosco e o quanto de nós permanece vivo depois de cada conquista.

Chegar mais alto perdendo o sono, os vínculos e a própria voz deixa uma conta que o tempo sempre cobra. 


Sejamos então como a LUA, que vive muitas vezes sozinha, mas nunca deixa de brilhar. Ou que sejamos com o nosso Astro Rei, aprendendo a crescer, sabendo subir, ascender sem medo de que às vezes essa caminhada acontece sozinha, mas como o Sol, que também é solitário, mas nunca deixa de brilhar!!!


Texto: Pery Salgado (jornalista)
Imagens: arquivo CULTURARTE
Realização: PR PRODUÇÕES





terça-feira, 25 de agosto de 2026

A MAIOR CONQUISTA É ESTAR EM PAZ

 


A paz raramente faz barulho.


Ela costuma morar em cenas pequenas, quase invisíveis para quem aprendeu a medir a vida pelo que os outros enxergam: uma casa simples, o cheiro do alimento no fogo, o corpo sem medo, a consciência sem contas abertas consigo mesma.

Durante anos, ensinaram que vencer era subir, acumular, ser admirado, provar alguma coisa. Pouco se falou sobre o cansaço de sustentar uma existência construída para impressionar pessoas que talvez nem estejam olhando.

Chega uma hora em que o coração perde o interesse pelos troféus.

Ele quer descanso.

Uma mesa onde ninguém precise representar. Uma noite em que os pensamentos não persigam o travesseiro. Um lugar onde a alma possa retirar os sapatos, baixar a guarda e respirar sem precisar justificar o próprio cansaço.

A paz também cobra escolhas. Afastar-se do que perturba. Recusar guerras que só alimentam o orgulho. Deixar morrer discussões que já consumiram tempo demais. Aceitar que algumas portas fechadas impediram nossa entrada em lugares capazes de nos destruir.

A maior conquista pode caber numa vida modesta e inteira.

Na alegria de preparar o próprio alimento. Na segurança de um abrigo. Na tranquilidade de não invejar o destino alheio. No alívio de deitar sem carregar o peso de ter ferido alguém para chegar mais longe.

Pouca gente verá essa vitória.

Mas quem encontrou paz já não precisa ser visto vencendo.


Texto: Pery Salgado (jornalista)
Imagens: arquivo CULTURARTE
Realização: PR PRODUÇÕES






CULTURARTE 316 - agosto de 2026 (segunda edição)

CULTURARTE 316
agosto de 2026 (segunda edição)



- ELAINE TELES: Conheça a terapeuta e escritora, escolhida MUSA OUTONO INVERNO 2026
-  A incrível história de LARISSA MOLINA psicóloga e pós-graduanda em neuropsicologia.
- Um texto incrível: O QUE EU PERDI ORANDO?

Tudo isso na segunda edição de agosto do Informativo CULTURARTE, já circulando nas versões on line e revista eletrônica.










domingo, 23 de agosto de 2026

POR QUE VOCÊS TEM PRAZER EM DIZER QUE NÃO SOU MULHER? com Maelle Chaves

 


Se eu não sou mulher, por que vocês precisam tanto me convencer disso?

É engraçado como algumas pessoas sentem a necessidade de me dizer que eu “não sou uma mulher biológica”, como se estivessem me contando alguma coisa que eu não soubesse sobre mim mesma.

Eu sei que fui designada como homem ao nascer. Sei que tenho cromossomos XY. Sei da minha história.

Mas parece que, para algumas pessoas, isso precisa ser repetido como se fosse uma revelação.

E não é. Eu sei exatamente quem eu sou: uma mulher.

Então, quando vocês me dizem isso, não estão me contando uma novidade. 

Estão apenas repetindo algo que eu já sei, tentando usar isso para invalidar aquilo que eu também sei sobre mim mesma.

Quem é Maelle Chaves?


Maelle Chaves é uma influenciadora digital, produtora e coordenadora de eventos brasileira. Ela ganhou grande destaque nas redes sociais ao compartilhar abertamente a sua jornada como mulher transgênero, tendo iniciado a sua transição de gênero aos 27 anos de idade.

Participou com trabalhos extras na cobertura da Copa do Mundo na equipe da CazéTV.