terça-feira, 21 de abril de 2026

Pela sua coragem, Nadia Murad se tornou a primeira iraquiana a receber o Prêmio Nobel da Paz


 Em 3 de agosto de 2014, o som dos motores na região de Sinjar, no Iraque, não anunciava progresso — marcava o início de um pesadelo. Em um único dia, uma comunidade inteira foi praticamente apagada.

Nadia Murad tinha apenas 21 anos quando seu mundo virou cinzas.

Pelo simples fato de pertencer à minoria yazidi, terroristas do Estado Islâmico decidiram que sua família não tinha o direito de viver. Seis de seus irmãos e sua mãe foram executados. Nadia não teve tempo de chorar por eles — foi colocada à força em um ônibus e transformada em “propriedade”.

O que veio depois foi um verdadeiro mergulho no inferno. Em Mosul, Nadia deixou de ser vista como pessoa — era tratada como mercadoria. 

Em apenas três meses, foi comprada e vendida sete vezes. Sofreu agressões e abusos constantes, com um único objetivo: destruí-la por completo.

Mas Nadia resistiu.

Em novembro daquele mesmo ano, surgiu uma chance: uma porta esquecida aberta. Na escuridão da noite, ela conseguiu fugir. Uma família muçulmana, arriscando a própria vida, a acolheu e ajudou a escapar das mãos do califado.

Muitos tentariam se esconder e esquecer. Nadia fez o oposto — escolheu lembrar.

Aos 22 anos, falou diante do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. Jovem, de aparência frágil, mas com uma voz que ecoou pelos centros de poder. Sem suavizar a realidade, contou ao mundo o que seu povo havia sofrido.

Sua coragem conseguiu o que a política não alcançou. Em 2018, aos 25 anos, Nadia Murad se tornou a primeira iraquiana a receber o Prêmio Nobel da Paz. Ainda assim, enquanto era aplaudida em Oslo, seu desejo continuava o mesmo: a liberdade daqueles que ainda permaneciam em cativeiro.

Hoje, Nadia transformou sua dor em luta por justiça por meio da organização Nadia’s Initiative. Sua história é prova de que o sofrimento pode se transformar em propósito.

Nadia não apenas sobreviveu — ela venceu ao se recusar a ser definida como vítima. Porque quando a verdade é usada como força, não existe escuridão capaz de apagá-la.

Veja o poderoso discurso da vencedora do Nobel da Paz de 2018 ao ser nomeada embaixadora da ONU

Nadia Murad, ex-escrava sexual do Estado Islâmico, luta para combater o estupro como uma arma de guerra

Confira o poderoso discurso de Nadia Murad ao ser nomeada a primeira embaixadora da Boa Vontade da ONU para a Dignidade de Sobreviventes do Tráfico Humano em 2016.

"Se decapitações, escravização sexual, estupro de crianças e o deslocamento de milhões de pessoas não fazem vocês tomarem uma atitude, quando vocês tomarão uma atitude? A vida não foi criada somente para vocês e suas famílias. Nós também queremos a vida e merecemos vivê-la", disse a ativista no vídeo divulgado pela ONU Brasil em suas redes sociais.

Nadia foi sequestrada pelo E. I. - Estado Islâmico, junto com milhares de outras mulheres e meninas da minoria Yazidi quando o grupo terrorista invadiu sua terra natal, no Norte do Iraque, em agosto de 2014. Foi selecionada pelo E.I. para ser estuprada. No entanto, diferentemente da maioria das mulheres que conseguiram fugir e que preferem esconder suas identidades, Nadia, ao escapar, insistiu com repórteres que a identificassem e fotografassem. Ela embarcou numa campanha mundial, falando diante do Conselho de Segurança da ONU, no Congresso americano, na Câmara dos Comuns do Reino Unido e em outras casas políticas em várias nações.

"Hoje eu quero transmitir uma mensagem de todas as vítimas e refugiados de todo o mundo porque vocês como líderes mundiais devem saber que tudo que fazem impactam positivamente ou negativamente na vida das pessoas simples como eu. Vocês decidem se haverá guerra ou paz. Vocês decidem dar esperança ou criar sofrimento. São vocês que decidem se outra garota, assim como eu, em outro lugar do mundo, poderá seguir com sua vida normal ou será forçada, como eu fui, a experienciar sofrimento, servidão ou estupro",  afirmou no discurso de 2016.

Enquanto estava nas mãos dos jihadistas, Nadia recebeu ajuda de uma família muçulmana em Mosul e obteve documentos de identidade que lhe permitiram chegar ao Curdistão iraquiano. Após a fuga, três meses depois do sequestro, a jovem - que disse ter perdido seis irmãos e sua mãe no conflito - morava em um campo de refugiados no Curdistão, onde fez contato com uma organização humanitária que ajuda os yazidis. Isso permitiu que ela conseguisse ir para a Alemanha, país em que atualmente vive.

"Devemos por um fim às guerras e colocar a humanidade em primeiro lugar. Devemos levar a Justiça a todos aqueles que cometeram crimes de genocídio e crimes contra a humanidade. Organizações extremistas e terroristas, como o Estado Islâmico e o Boko Haram, são a principal causa do deslocamento de milhões de pessoas, devemos eliminar todos esses monstros agora. Sim, agora. Até que a segurança se estabeleça nas áreas de conflito, nós não podemos fechar as portas nas caras de mulheres e crianças inocentes, aqueles que sofreram calamidades. Devemos estar junto das pessoas perseguidas. O mundo só tem uma fronteira, se chama humanidade", ressaltou.

A ativista contou sua história na autobiografia "The last girl" ("A última garota"), recém-publicada. 

O título remete a uma frase no livro: "Eu quero ser a última garota no mundo com uma história como a minha".

Confira abaixo o seu discurso na ONU:

Reconhecimento e Legado

Prêmio Nobel da Paz: Recebeu a honraria em 2018, dividindo o prêmio com o médico Denis Mukwege.

Livro: Publicou sua biografia intitulada "Que Eu Seja a Última", onde detalha os horrores que viveu e sua jornada por justiça.

Código Murad: Criou diretrizes internacionais para que testemunhos de violência sexual sejam colhidos com respeito e segurança para as vítimas. 

Ponto de Apoio: Se você ou alguém que você conhece está passando por uma situação de violência, procure ajuda. 

No Brasil, o Ligue 180 é a Central de Atendimento à Mulher, um serviço gratuito e confidencial que oferece orientações e encaminhamentos.


Pesquisa: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES




domingo, 19 de abril de 2026

"O verdadeiro brilho está na mulher que aprendeu a não desistir de si" por Gabriele Eleutério


 Era uma manhã comum, mas ela decidiu que não seria um dia qualquer.

Ao se olhar no espelho antes de sair, viu mais do que o reflexo de uma mulher bem arrumada — viu uma história inteira de superação, fé e recomeços. O sorriso com aparelho não era só estética, era símbolo de cuidado consigo mesma, de quem decidiu se reconstruir sem pressa, mas com coragem.

Ela escolheu aquela blusa marrom porque queria transmitir calma, firmeza e maturidade. Calçou os sapatos claros como quem pisa leve, mas com propósito. Quando chegou ali, diante daquela vista da cidade, sentiu algo diferente: não era apenas um cenário bonito… era como se tudo ao redor representasse o caminho que ela percorreu — altos, baixos, curvas inesperadas… e ainda assim, ela continuava de pé.

Então tirou a foto.

Não para mostrar aos outros, mas para lembrar a si mesma:

"Eu consegui chegar até aqui!!!"

E naquele instante, com o vento leve tocando seu rosto e o coração em paz, ela entendeu que estava exatamente onde precisava estar.

Porque às vezes, o verdadeiro brilho não está no lugar…

está na mulher que aprendeu a não desistir de si.

Pensem nisso!!!

Quem é Gabriele?

Gabriele é uma mulher forte, sensível e cheia de propósito. Mãe dedicada do João Pedro e do João Gabriel, carrega no peito o amor pela família, pelo cuidado com o próximo e pelo que faz. Atua como psicanalista, neuropsicanalista e terapeuta integrativa, ajudando pessoas a se reencontrarem com sua essência, com empatia e acolhimento.

Ela ama frases que inspiram, histórias de superação e momentos simples que aquecem o coração. Valoriza o respeito, a verdade e a presença — seja num café entre amigos, num reencontro inesperado ou num gesto de carinho. Gosta de ouvir, de observar e de transformar até a dor em força.

Trabalhadora incansável, é envolvida em projetos sociais e tem orgulho do que construiu com coragem. Ao mesmo tempo, é romântica, acredita no amor e se encanta com conexões que vão além da aparência. Gosta de sentir que é lembrada, de partilhar risadas, de mensagens que tocam a alma e de celebrar cada pequena vitória.

Gabriele é gente de verdade — intensa, afetuosa e apaixonada pela vida, mesmo com todas as suas lutas. 

Texto original e fotos: Gabriele Eleutério Oliveira  (Terapeuta Psicanalista e funcionária pública)
Texto adaptado: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES







quinta-feira, 16 de abril de 2026

COM QUASE 70, MONIQUE EVANS MOSTRA O PODER DA MULHER E O SABER ENVELHECER

 


A apresentadora e ex-modelo Monique Evans voltou a chamar atenção nas redes sociais ao surgir em um ensaio recente usando um body transparente. 


Prestes a completar 70 anos ela tem atualmente 69 a artista compartilhou o registro com seguidores e aproveitou para refletir sobre envelhecimento, autoestima e liberdade ao longo da vida.

Na publicação, Monique destacou que encara a passagem do tempo com naturalidade e afirmou que se sente cada vez mais livre para viver e expressar sua personalidade. 


Em diferentes ocasiões, a apresentadora já declarou que aceita as mudanças do corpo com tranquilidade, celebrando a maturidade e a experiência acumulada ao longo dos anos. 

Em uma de suas postagens sobre o tema, ela escreveu que se mostra como é, com “flacidez, gordurinhas e 69 anos”, demonstrando satisfação com a própria fase de vida. 

O clique repercutiu entre fãs e seguidores, que deixaram uma série de elogios à artista, destacando sua beleza e autenticidade. Comentários ressaltaram a confiança e a atitude de Monique ao compartilhar imagens que valorizam o corpo real e a liberdade de se expressar independentemente da idade.  

TRAJETÓRIA

Com uma longa trajetória na televisão e na moda, Monique Evans ficou conhecida como modelo e personalidade da TV brasileira desde os anos 1980, quando ganhou destaque em programas de entretenimento e no carnaval carioca, chegando a popularizar o posto de rainha de bateria em escolas de samba. 

Nos últimos anos, a apresentadora tem usado as redes sociais para dividir momentos da vida pessoal e reflexões sobre envelhecer com leveza. 

Viveu segundo ela um dos melhores momentos de sua vida quando esteve com a namorada Cacá Werneck.

Para ela, a maturidade representa uma fase de maior autoconhecimento e liberdade, mensagem que reforça ao compartilhar fotos e depoimentos sobre autoestima e aceitação do próprio corpo. 






"Um homem de verdade protege, cuida, trabalha, dialoga. Não agride, não ameaça e muito menos mata", por Eliana Lima.


Confesso que meu coração está triste...

Eu nunca imaginei que viveria em um mundo como o de hoje. Todos os dias vemos notícias de feminicídio e crimes contra crianças. Como mãe e pai de família, eu me sinto envergonhada, indignada e profundamente triste. Dói ver tantos homens agindo com covardia, tirando a vida de mulheres por não aceitarem o fim de um relacionamento, por orgulho ferido, por não saberem lidar com um “não”.


Eu cresci aprendendo a respeitar meus pais. Cresci entendendo que respeito não é fraqueza, é caráter. Aprendi como  que um homem de verdade protege, cuida, trabalha, dialoga. Homem de verdade não agride, não ameaça e muito menos mata.

Como eu gostaria de voltar ao tempo em que o respeito não era apenas uma palavra no dicionário, mas uma prática diária. Um tempo em que as pessoas tinham mais temor a Deus, mais amor ao próximo, mais responsabilidade com a família.


Parece que estamos vivendo uma batalha silenciosa. O inimigo trabalha na divisão, na frieza, no egoísmo. E, se não resgatarmos os valores dentro das nossas casas, se não ensinarmos nossos filhos sobre amor, limites e responsabilidade, continuaremos colhendo dor.

Ninguém é dono de ninguém. Mulher não é propriedade. Criança precisa de proteção, não de violência. A vida é um presente de Deus e deve ser tratada como sagrada.

Eu não posso me calar. Mulher, mãe e como agente de segurança pública, eu escolho defender o respeito, o amor e a vida.

Que a gente volte a ter mais coração do que orgulho. Mais diálogo do que violência. Mais Deus do que ódio!!!

Texto e imagens: Eliana Lima, agente de segurança pública da Guarda Municipal de Maricá
Diagramação: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES