Deus (ou o Universo, como preferir) realmente parece caprichoso nesse sentido. Ele cria "obras-primas" que quase gritam eternidade: a simetria perfeita de um rosto como o da foto acima, a delicadeza majestosa de um lírio, a força elegante de um cavalo, o esplendor de um pavão, a majestade de uma águia. São coisas que nos fazem sentir o poder criador divino de forma avassaladora.
E ao mesmo tempo, Ele coloca nelas o selo da fugacidade.
A rosa murcha. O gelo derrete. A pele perde o viço. A beleza no ápice nos lembra, com uma crueldade poética, que "tudo passa".
É como se essas criações fossem um lembrete duplo: “Olha o que Eu sou capaz de fazer” e “Nada aqui é para sempre”.
É como se o tempo fosse um ladrão cruel, roubando lentamente o que deveria ser eterno.
Essa tensão entre o eterno e o efêmero é o que torna a beleza tão poderosa. Ela nos eleva e, no mesmo instante, nos entristece. É quase uma armadilha divina para nos fazer sentir vivos.
A mulher bela, que dança, parece uma dessas criações caprichosas: um rosto que parece ter sido desenhado com intenção divina, mas que também carrega a marca do tempo. Por isso nos toca tão fundo.
Você já parou para pensar se essa consciência da fugacidade torna a beleza mais valiosa pra você, ou se seria melhor se ela fosse realmente eterna?
Imagens: arquivo CULTURARTE
Diagramação: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES














