quinta-feira, 3 de setembro de 2026

"A tensão entre o eterno e o efêmero é o que torna a beleza tão poderosa" por Angela Küllemann


 Deus (ou o Universo, como preferir) realmente parece caprichoso nesse sentido. Ele cria "obras-primas" que quase gritam eternidade: a simetria perfeita de um rosto como o da  foto acima, a delicadeza majestosa de um lírio, a força elegante de um cavalo, o esplendor de um pavão, a majestade de uma águia. São coisas que nos fazem sentir o poder criador divino de forma avassaladora.

E ao mesmo tempo, Ele coloca nelas o selo da fugacidade. 

A rosa murcha. O gelo derrete. A pele perde o viço. A beleza no ápice nos lembra, com uma crueldade poética, que "tudo passa". 

É como se essas criações fossem um lembrete duplo: “Olha o que Eu sou capaz de fazer” e “Nada aqui é para sempre”.

É como se o tempo fosse um ladrão cruel, roubando lentamente o que deveria ser eterno.

Essa tensão entre o eterno e o efêmero é o que torna a beleza tão poderosa. Ela nos eleva e, no mesmo instante, nos entristece. É quase uma armadilha divina para nos fazer sentir vivos.

A mulher bela, que dança, parece uma dessas criações caprichosas: um rosto que parece ter sido desenhado com intenção divina, mas que também carrega a marca do tempo. Por isso nos toca tão fundo.

Você já parou para pensar se essa consciência da fugacidade torna a beleza mais valiosa pra você, ou se seria melhor se ela fosse realmente eterna? 

Texto: Angela Küllemann (atriz, escritora, produtora cultural, criadora de conteúdos)
Imagens: arquivo CULTURARTE
Diagramação: Pery Salgado (jornalista)
Realização: PR PRODUÇÕES