quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

MARC FERREZ, OLHOS PARA O MUNDO! O primeiro grande mito nacional da fotografia.

 Marc Ferrez foi um fotógrafo brasileiro de origem francesa. Atuou durante o Império e as primeiras décadas da República, mais precisamente entre os anos de 1860 a 1922, tendo construído um dos legados mais importantes visuais, sobre o Brasil nesse período.

Foto Marc Ferrez com seu equipamento fotográfico em Santa Teresa , Rio de Janeiro - 1885.

Principal fotógrafo brasileiro do século XIX, dono de uma obra que se equipara à dos maiores nomes da fotografia em todo o mundo, Marc Ferrez é o mais significativo fotógrafo do período no acervo do Instituto Moreira Salles. Preservados por seu neto, o pesquisador Gilberto Ferrez, os negativos de vidro e as tiragens produzidas pelo próprio fotógrafo compõem a maior parte da Coleção Gilberto Ferrez, reunião de 15 mil imagens que não tem rival entre os acervos privados de fotografia brasileira do século XIX, adquirida pelo IMS - Instituto Moreira Salles, em maio de 1998.

Mais conhecido do grande público por suas paisagens – sobretudo as fotografias panorâmicas da cidade do Rio de Janeiro e arredores, feitas com câmeras especiais em negativos de grande formato, técnica praticada por poucos fotógrafos do mundo e à qual ele dedicou toda a sua inventividade técnica –, o Ferrez que emerge da coleção é um artista plural e inquieto. Como fotógrafo, foi, ao sabor dos trabalhos que lhe eram encomendados, versátil nos temas. Como pesquisador de técnicas e processos, num momento em que a fotografia passava por acelerada evolução, perseguiu e desenvolveu projetos pioneiros.

Ferrez nasceu no Rio de Janeiro em 1843, sexto filho dos franceses Alexandrine e Zépherin, escultor que chegara à cidade em 1817 e se integrara à Missão Artística Francesa, participando da criação da Academia Imperial de Belas-Artes. Órfão aos sete anos – quando o pai e a mãe, ao lado de escravos e animais de sua propriedade, morreram em circunstâncias mal esclarecidas, possivelmente envenenados por produtos químicos da fábrica de papel que haviam montado anos antes –, o pequeno Marc foi morar em Paris com a família do escultor e gravador de medalhas Joseph Eugène Dubois. Pouco se sabe desses anos de formação, mas é razoável supor que o interesse pela fotografia tenha nascido na capital francesa, pois ao retornar ao Brasil, no início dos anos 1860, Marc Ferrez logo se estabeleceu como fotógrafo. Suas ligações com Paris – em especial, nos primeiros anos de carreira, com a Société Française de Photographie – seriam mantidas por toda a vida, por meio de intensa correspondência e viagens frequentes, alimentando a ânsia de experimentação e aprimoramento tecnológico que acabaria por torná-lo um mestre alinhado com a vanguarda internacional do ofício e, mais tarde, um dos pioneiros na difusão da nova arte do cinema em território nacional.

Theatro Municipal e avenida Central
(posteriormente Rio Branco)

Estabelecido por conta própria desde 1867, quando abriu no centro do Rio a Casa Marc Ferrez & Cia., o jovem Ferrez não demorou a ver a carreira prosperar. Três anos depois, foi contratado como fotógrafo pela marinha imperial e, para dar conta da missão de fotografar um navio do convés de outro, inventou um equipamento especial para contrabalançar o jogo das ondas, deixando o enquadramento sempre em linha com o horizonte. Em 1873, ano de seu casamento com a francesa Marie Lefebvre, um incêndio destruiu por completo a loja-oficina de Ferrez, inclusive todas as chapas que acumulara no início da carreira. Uma viagem a Paris para comprar novos equipamentos o pôs de volta na atividade profissional e, dois anos depois, ele corria o país de norte a sul como fotógrafo da Comissão Geológica e Geográfica do Império, chefiada pelo cientista canadense naturalizado norte-americano Charles Frederick Hartt. Numa dessas expedições, em 1875, fez na Bahia as primeiras fotos dos índios bororo.

Cais Pharoux (posteriormente Praça XV)


Um conjunto das fotografias feitas por Ferrez para a Comissão Geológica e Geográfica do Império foi exibido em 1876, na Exposição Universal da Filadélfia, nos Estados Unidos. No entanto, foi com um panorama do Rio, obtido por meio da justaposição de quatro clichês, que ele conquistou naquele evento a primeira medalha de ouro internacional. A glória não o deixou satisfeito: anos mais tarde, já equipado para superar a fase da justaposição, Ferrez apontou naquele trabalho “o defeito de não apresentar os objetos em seus verdadeiros planos nem guardar a perspectiva em sua precisão matemática, sendo mui sensíveis as aberrações que contém. Tais defeitos não se encontram no aparelho que possuímos.” Referia-se à “câmera panorâmica de varredura”, que comprara em 1878 do engenheiro David Hunter Brandon, seu fabricante em Paris, projetada a partir de uma patente de 1862 dos ingleses John R. Johnson e John A. Harrison.

Marc Ferrez com sua máquina do alto de Santa Teresa


Em 1881, ano em que nasceu seu primeiro filho, Júlio, Ferrez ganhou o grande prêmio da Exposição da Indústria Nacional por seu “aparelho panorâmico para vistas fotográficas, inventado (sic) e construído por M. Brandon e aperfeiçoado pelo fotógrafo”. Já um mestre na realização dos panoramas, Ferrez anunciou no almanaque Laemmert de 1882 a venda de vistas panorâmicas de um metro e dez centímetros em um único negativo.

Estação Central do Brasil final do século XIX


Os anos 1880 foram de trabalho intenso. Ferrez fotografou tribos indígenas em Goiás e Mato Grosso, série à qual pertence o belíssimo retrato conhecido como Menino índio; viajou por São Paulo e Minas Gerais a serviço da Estrada de Ferro D. Pedro II; registrou a construção da Estrada de Ferro do Paraná, considerada a mais ousada obra de engenharia do país, num álbum que foi incorporado à coleção da Société de Géographie de Paris; e transformou a documentação fotográfica das obras destinadas a melhorar o abastecimento de água no Rio de Janeiro em oito álbuns, três deles presenteados em 1889 (ano da despedida do Império) a d. Pedro II, que quatro anos antes o nomeara cavaleiro da Ordem da Rosa. Em sua produção na última década do século XIX, destacam-se a documentação dos estragos provocados em navios e instalações da marinha pela Revolta da Armada e uma excelente série de tipos urbanos do Rio de Janeiro, cada um representando um ofício (um exemplo famoso é a imagem dos meninos jornaleiros, de 1899).

Recife, início do século XX


O século XX encontrou Ferrez consagrado como fotógrafo e empresário, com atividades que iam do comércio de equipamentos fotográficos à edição de livros e postais. Mesmo assim, permanecia disposto a tocar projetos ambiciosos nas duas frentes. O monumental álbum Avenida Central: 8 de março de 1903-15 de novembro de 1906 registrou a remodelação radical da principal artéria carioca de então, promovida pelo prefeito Pereira Passos, com o rigor de contrapor reproduções das plantas às fotografias das fachadas de cada edifício ali documentado.

Cine Pathé, na Cinelândia década de 80 século XX


Como empresário, Ferrez foi sócio do Cine Pathé, fundado em 1907, a terceira sala de cinema da cidade, e ajudou a produzir, entre muitos outros títulos, aquele que entraria na história como a primeira comédia do cinema brasileiro, 'Nhô Anastácio chegou de viagem'. Data dessa época sua curiosa reivindicação, junto às autoridades alfandegárias, de igual tratamento fiscal para as películas de filmes, então pesadamente taxadas, e o material fotográfico convencional, por ser “evidente que as imagens cinematográficas são fotografias habituais”. Ferrez fez-se ainda distribuidor exclusivo no Brasil dos produtos dos irmãos Lumière, dos quais se tornara amigo, realizando experiências com fotos coloridas em autocromo.

O grande amigo e incentivador, D. Pedro II


Após a morte de sua mulher, em 1914, Marc Ferrez partiu no ano seguinte para uma temporada de cinco anos em Paris, retornando ao Rio, doente, três anos antes de morrer.







terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Com 71 anos, Bruna Lombardi posa como veio ao mundo e impressiona: "melhor que muita novinha!"


 A renomada atriz Bruna Lombardi, é conhecida por seus papéis em novelas e minisséries icônicas. Então ela brilhou em produções como ‘Sem Lenço, sem Documento’ (1977), ‘De Corpo e Alma’ (1992) e ‘O Quinto dos Infernos’ (2002).

Recentemente, ela surpreendeu e encantou seus seguidores no Instagram no domingo (26/11). A razão? Ela compartilhou uma foto ousada em que aparece completamente nua (veja ao final desta matéria).


Na imagem, a talentosa artista de 71 anos de idade exibe sua beleza de maneira elegante, deitada na cama e cobrindo estrategicamente seu corpo com um lençol branco. 

Na legenda do post, Bruna Lombardi brincou: ‘O corpo é natural da cama, ainda mais num domingo… e adivinha quem adora registrar o momento?’ – referindo-se ao marido, também ator, Carlos Alberto Riccelli.

Como resultado, os comentários não tardaram a chegar, com os fãs e admiradores elogiando a famosa. ‘Lindamente sensual sem ser vulgar, sempre elegante’, expressou um seguidor. ‘Maravilhosa demais’, declarou entusiasticamente outro. ‘O tempo só te faz bem, cada dia mais linda’, elogiou mais um admirador, destacando a atemporalidade da beleza de Bruna Lombardi.

A ousadia e a elegância da atriz continuam a conquistar corações, demonstrando que sua presença cativante transcende o tempo e continua a encantar uma legião de fãs.

Confira o ensaio de Bruna Lombardi:








segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

ME FAÇA MULHER! por Martha Medeiros


Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. 

Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. 
Acordo pela manhã com ótimo humor mas… permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza.
Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. 
Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. 
Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. 

Respeite meu choro, me deixe sozinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre, por que eu também gosto de ser contrariada. (Então fique comigo quando eu chorar, combinado?).
Seja mais forte que eu e menos altruísta! 
Não se vista tão bem… gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço.
Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar às vezes, mesmo na sua idade. 
Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. 
Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.
Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca… 
Goste de música e de sexo (MUITO SEXO)
Goste de um esporte não muito banal. 
Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família… isso a gente vê depois… se calhar… deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. 
Quero ver você nervoso, inquieto, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. 
Não me conte seus segredos… me faça massagem nas costas. 
Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. 
Me rapte! Se nada disso funcionar… experimente me amar!

-Martha Medeiros
Modelo: Nayane Lamaneres



segunda-feira, 27 de novembro de 2023

CULTURARTE 263 - novembro de 2023

 CULTURARTE 263 - novembro de 2023


- Mês da Consciência Negra: Consciência Negra ou Consciência Humana?
- Mari Souza, Beleza Negra 2023
- Conheça Nyakim Gatwech, a negra mais linda do mundo
- "Adoro ser chamada de preta": conheça tudo sobre a abolição da escravatura e o dia em comemoração a Zumbi dos Palmares
- Você quer ter um Bum Bum de dar inveja?
- Sara Baartman, a trágica história de uma negra africana
- Limão ajuda a acabar com as gordurinhas, mas é preciso saber a dose certa
- A falsa vida que muitos insistem em mostrar nas redes sociais
- AZEITE, o ouro líquido
- Pense sempre como uma Rainha
Tudo isso e muito mais  da edição de novembro do Informativo Culturarte, já circulando nas versões on line e Revista Eletrônica.