As Iyami Oxorongá (ou Ìyàmi Òṣòròngà) são as grandes mães ancestrais na tradição Iorubá e religiões afro-brasileiras, representando o poder feminino primordial, a fertilidade e a ancestralidade. Conhecidas como "feiticeiras" ou donas do pássaro da noite (Oxorongá), elas simbolizam a criação, a vida e a morte, sendo cultuadas para buscar proteção e evitar sua ira.
Principais Características e Fundamentos:
Poder Feminino: Representam a força feminina mais antiga, ligada à criação, equilíbrio do mundo e justiça espiritual.
"Minha Mãe": Iyami significa "minha mãe", um termo de reverência e temor.
Associação com Pássaros: São Eleyés ("proprietárias dos pássaros"), especialmente o pássaro Oxorongá, símbolo de sua conexão com a noite e o poder de transmutação.
Ajé (Feitiçaria): São consideradas as senhoras da magia e da feitiçaria, possuindo profundo conhecimento para o bem ou para o mal.
Culto: Não são orixás de iniciação (não se "raspa" cabeça para elas), sendo assentadas coletivamente para a comunidade. O culto envolve alta reverência, oferendas e respeito absoluto, especialmente em relação ao sagrado feminino.
Reverência e Mistério:
Diz a tradição que seu nome não deve ser pronunciado em vão, pois invoca sua presença, muitas vezes associada à meia-noite. Elas não são vistas como o "mal" absoluto, mas como forças que exigem respeito e punem o desrespeito, a injustiça e a arrogância.
OXUM - A líder das Ìyámi
Aqui no Brasil, Oxum é vista como a orixá do ouro, da beleza e das plumas e paetês, mas Oxum está muito longe dessas futilidades de passar 1kg de maquiagem no rosto e suas filhas e filhos dizerem:
"Sou de Oxum porque sou uma pessoa muito linda e vaidosa." Ok, legal, agora vamos a OXUM!
OXUM é a líder das Ìyámi. É ela a senhora do bronze, regente do ventre materno, de cada óvulo feminino, do sangue menstrual, dos seios, a grande feiticeira e estrategista que nunca se contentou com pouco, nunca quis ficar de fora dos segredos dos outros orixás: "por que só Exu pode saber a arte dos búzios, meu pai? Eu também posso e quero aliás, vou aprender" e ela aprendeu.
Oxum é assim, persistente, idealista e independente. Ela carrega em uma de suas mãos não um espelho, mas sim um leque feito das penas do pássaro chamado ÌKÓÒDÍDÉ, penas vermelhas que todo o abian, iniciado, carregada na testa (chakra do terceiro olho) para mostrar o poder feminino, a veneração pela mulher, a admiração por Oxum ser uma das mais poderosas feiticeiras já que com ela estão Nàná e Iemonjá.
Não se deve esquecer que os mortos do sexo feminino recebem o nome de Ìyámi Agbá (minha mãe anciã), mas não são cultuados individualmente. Sua energia como ancestral é aglutinada de forma coletiva e representada por Ìyámi Oxorongá chamada também de Ìyá NIa, a grande mãe.
Esta imensa massa energética que representa o poder da ancestralidade coletiva feminina é cultuada pelas "Sociedades Gëlèdé", compostas exclusivamente por mulheres, e somente elas detêm e manipulam este perigoso poder.
O medo da ira de Ìyámi nas comunidades é tão grande que, nos festivais anuais na Nigéria em louvor ao poder feminino ancestral, os homens se vestem de mulher e usam máscaras com características femininas, dançam para acalmar a ira e manter, entre outras coisas, a harmonia entre o poder masculino e o feminino.
Muitos dos grandes sacerdotes são filhos ou filhas de Oxum. Ela trás o poder do sacerdócio, da adivinhação, da clarividência e da feitiçaria além de qualquer tipo de oráculo africano. Ela juntamente com Exu fala nos búzios.
Exu sabe o quão sábia é Oxum, mas também o quão perigosa ela pode ser, pois Oxum não grita e nem se estressa por qualquer coisa nem mesmo pela pior situação. Ela é elegante no andar, majestosa nas atitudes, cruel nos sentimentos contra seus inimigos e mortal em seu silêncio.
Por isso, não vejam OXUM como bobinha porque ela não é. Um exemplo disso é o caso de um determinado tempo passado em que um chamado pai de santo humilhou essa orixá, mas no final quem saiu vitoriosa? OXUM! A prova disso foi no carnaval em que a Viradouro levou o título com ela como destaque, coincidência? Não mesmo!
Pensem bem antes de subestimar essa Yá, Oxum é a arte, mas ela é a arte da guerra.
ORA IÊ IÊ Ô, OXUM!
AXÉ
(Texto de Thau Ãn)
O verdadeiro 'poder feminino primordial!'
Quando se pronuncia o nome de Iyami Oxorongá quem estiver sentado deve se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência pois esse é um temível Orixá, a quem se deve respeito.
Ìyàámi Òṣòròngà, energia ancestral feminina, cultuada por uma sociedade de mulheres. A sociedade de mães ou Ìyàámi, é o conselho de mulheres idosas da aldeia, que é composto por iniciadas de Òşún, Yemọjá e Oya, tendo Òşún normalmente como a líder. Os conselhos de anciãs adoram o espírito do ar, que é uma força masculina expansiva e que tem como seu mensageiro: o pássaro.
Toda mulher é uma Àjé, Ìyàámi representa os poderes místicos da mulher no seu aspecto mais perigoso. São as mães em cólera, que sem a sua boa vontade, a vida na terra não teria continuidade.
Ìyàámi simboliza o princípio feminino, sendo responsável por todo o poder das mulheres, são as grandes mães ancestrais, que tudo criaram, transformaram e transmutaram desde o princípio da formação do Universo.
Sem o poder feminino, sem o princípio de criação, não brotam plantas, os animais não se reproduzem, a humanidade não tem continuidade. Assim, a mulher é o princípio da criação e preservação do mundo. Sem a mulher não existe vida, e por esse motivo deve ser reverenciada e respeitada. A mulher está diretamente ligada ao divino, serve como passagem e receptáculo do sagrado no mundo dos vivos, por gerar vida. A mulher é vista como o útero fecundado, a cabaça que contém a vida, a responsável pela continuidade da espécie e pela sobrevivência da comunidade.
A mulher tem o poder da vida, pois todos são gerados no ventre feminino, todos nasceram de uma mulher, sendo fundamentalmente importante se curvar ante à poderosa mãe. Todas as mulheres e todas as Divindades femininas, principalmente Òsún, Yemọjá, Ợya e Nàná, possuem uma grande ligação com Ìyàámi.
O culto à Ìyàámi sempre existiu, no entanto, o respeito que existe em relação a essa Divindade fez e faz com que o seu culto seja restrito. Ìyàámi é tida como a perigosa feiticeira, por isso recebe o nome de Àjé (feiticeira). O medo e o respeito acerca dessa divindade são tão significativos que, o seu principal nome, Òṣòròngà, quase nunca é pronunciado.
O poder de Ìyàámi é intangível e desmedido, ela é sem dúvida, uma das Divindades mais poderosas e, essa é uma das razões para que as pessoas tenham tanto receio e medo em relação a elas. Ìyàámi é louvada por meio de cânticos específicos que enaltecem as suas características e por meio de oferendas que apaziguam a sua cólera, fazendo com que exista o equilíbrio necessário. Em momento algum podemos deixar de lado o perigo existente acerca de Ìyàámi, no entanto, não podemos deixar de recordar que Ìyàámi, é também, o princípio gerador feminino, a representação máxima da ancestralidade feminina.
Muito embora, grande parte do culto de Ìyàámi seja destinado às mulheres, existem os Oṣò, que são homens feiticeiros, mas infinitamente menos violentos e cruéis que as Àjé. Eles participam do culto, onde, em forma de submissão total as mulheres e ao seu poder, prestam reverência e homenagens à Ìyàámi.
Trazidas ao mundo pelo Odù Osá Méjì, as Ajé, juntamente com o Odù Òyèkú Méjì, formam o grande perigo da noite.
O objetivo da sociedade, que antes era exacerbar a maldade existente no poder feiticeiro de Ìyàámi, modificou-se e as danças, os cânticos e as oferendas feitas em sua homenagem, visam, a aplacar a sua cólera ao em vez de incentivá-la.
No país Yorùbá, as atividades das feiticeiras – Àjé – estão ligadas às das divindades, Òrìşà, e aos mitos da criação. As Àjé são um dos pilares essenciais da sociedade, porém evita-se maldizê-las abertamente, pois se acredita que possuam uma força agressiva e perigosa.
Elas escolhem entre si, uma Ìyálóde (Erelú/Ògbóni), a mulher que dirige as mulheres em uma aldeia Yorùbá. A Ìyálóde coloca o pássaro dentro da cabaça, a cobre e a entrega a mulher que quer obter o poder de Àjé. Este pássaro é enviado em missão, cada vez que a Àjé quiser combater alguém.
Elas estão diretamente ligadas a Sociedade Ògbóni. Ògbóni foi fundada para estabelecer a ordem e a paz em território Yorùbá, com isso, o papel das Ìyàámi, é justamente fazer esse controle entre os seres humanos. Aquele que não estiver cumprindo o juramento feito, de lealdade, fraternidade, caráter reto, é com Ìyàámi que deverá prestar contas, ela faz esse controle e cobra os tributos.
Texto adaptado por: Fátima Gilvaz -Erelú Iyá Òsún Funké, Iyanifá Fun Mi Lolá .Pesquisa: Odé Oláigbo.
A sociedade Òṣòròngà
A sociedade Òṣòròngà congrega as Àjé – feiticeiras. Alguns itan de Ifá, ilustram que Ìyàámi tem o poder de se transformar em pássaros – Èhurù, Eluùlú, Àtíòro, Àgbìgbò e Òṣòròngà, este último refere-se ao próprio nome da Sociedade. Eles empoleiram-se em algumas árvores como o Iroko. Esse, por sinal, é um dos motivos para que as pessoas não fiquem debaixo da copa de Iroko (*) durante a noite, pois acreditamos que ela se esconde em seus grandes galhos.
São detentoras de grande poder, consideradas as donas da barriga. Ninguém pode com seus Ebó, são propiciadoras da alteração do destino de uma pessoa. Seus poderes são tamanhos que só se consegue, no máximo, apaziguá-las, vence-las jamais.
Quando se pronuncia o nome de Ìyàámi Òṣòròngà quem estiver sentado deve se levantar, quem estiver de pé fará uma reverência, pois esse é um temível Òrìşà, a quem se deve respeito completo.
Saiba mais sobre a Iroko, - a árvore dos orixás, acessando https://bezerraomedicodospobres.blogspot.com/2026/04/iroko-arvore-orixa-e-orixa-da-arvore.html
Àwọn Ìyámi Àjẹ́
Uma das mais importantes e perigosas Divindades do Candomblé, a grande mãe ancestral Ìyàmì. Essas grandes senhoras são, sem dúvidas, o maior símbolo do poder feminino da cultura yorùbá.
Antes de tudo, é importante recordarmos que o culto às Mães Ancestrais, chegou ao Brasil, ainda à época da escravidão, sobretudo por meio de Maria Júlia Figueiredo, do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, que possuía dois dos mais importantes títulos nas sociedades femininas yorùbá, o de Ìyálode (chefe entre as mulheres) e Erelu (supremo título feminino na sociedade Ogboni). É muito importante salientar o papel de Maria Júlia Figueiredo (Ìyá Omoniké), para a formação desse culto no Brasil, bem como os seus títulos honoríficos, trazidos da África, pois há quem erroneamente acredite que o conhecimento litúrgico acerca das Ìyàmì seja algo recente no Brasil.
Fato é que nas mais antigas e tradicionais comunidades de Candomblé da Bahia, o culto à Ìyàmì sempre existiu, no entanto, o respeito que existe em relação a essa Divindade fez e faz com que o seu culto seja restrito e não participado à maioria. A evocação dessa importante Divindade em rituais como o Ipade, bem como, os assentos mais que centenários existentes nos tradicionais terreiros, corroboram a constatação desse culto ter sido introduzido no Brasil, juntamente com o surgimento do Candomblé na Bahia.
O primeiro nome Ìyàmì, que significa “Minha Mãe”, antecede os diversos “apelidos” que são utilizados para mencionar a grande mãe ancestral, tais como o mencionado “Ìyàmì Osoronga” (que não deve ser pronunciado em momentos indevidos), “Ìyàmì Eleye”, “Ìyàmì Ajé”, “Ìyàmì Agba” dentre muitos nomes.
O poder de Ìyàmì é intangível e desmedido, ela é sem dúvida alguma, uma das Divindades mais poderosas do Candomblé e, essa é uma das razões para que as pessoas tenham tanto receio e medo em relação a Ìyàmì. No Ipade, Ìyàmì é louvada por meio de cânticos específicos que enaltecem as suas características e por meio de oferendas que apaziguam a sua cólera, fazendo com que exista o equilíbrio necessário para a realização das festividades.
Em momento algum podemos deixar de lado o perigo existente acerca de Ìyàmì, no entanto, não podemos igualmente deixar de recordar que Ìyàmì, é também, o próprio princípio genitor feminino, a representação máxima da ancestralidade feminina. Muitos dizem, de forma indevida, que Ìyàmì é uma divindade do mal. A verdade é que Ìyàmì jamais pode ser deixada de lado, isso sim desperta a sua cólera e seus aspectos mais perigosos.
Ìyàmì é o maior símbolo da ancestralidade feminina e a maior representação feminina é o ventre, simbolizado na cultura yorùbá pela cabaça (igba) e pelo ovo (eyin adiye). Ìyàmì é a grande dona do ventre, razão pela qual, muitas mulheres com dificuldade de engravidar recorrem a ela, para conseguir realizar o sonho da maternidade. Ìyàmì tem grande poder sobre toda a parte genitora, uma das reverências que as mulheres realizam para Ìyàmì, é justamente tocar a árvore sagrada dessa Divindade com a barriga, em sinal de respeito e clamando por proteção e filhos.
Os terreiros de Candomblé que colocam em suas portas ou assentos de Ìyámì, um pequeno alguidar com ovos e azeite de dendê, estão apaziguando a grande mãe e pedindo para que as intrigas, confusões e discórdias não adentrem ao terreiro. Como já mencionado, o ovo representa o ventre e, por consequência Ìyàmì, o azeite de dendê, diferente do que muitos acreditam, por sua vez, tem o poder de apaziguar, de trazer a calma (eró).
Outro símbolo dessa poderosa Divindade é o pássaro, por isso, ela também é chamada de Ìyàmì Eleye (a mãe dona do pássaro, em especial, a coruja). Em Salvador, é comum se ouvir das antigas egbon do Candomblé que, quando uma coruja (owiwi) canta, Ìyàmì está anunciando a sua chegada o que pode em muitos casos, ser um mau presságio. Quando isso acontece, elas imediatamente cruzam a barriga e a nuca.
Muitas histórias discorrem sobre a ligação das Ìyàmì com os pássaros, com as penas das aves (Mãe poderosamente emplumada). Em uma antiga foto constante no terreiro da casa branca, Ìyá Júlia (Ìyá Lode, Erelu) aparece com uma pena de um pássaro na cabeça, mostrando novamente a sua ligação com o culto dessa Divindade. Ainda hoje, é comum vermos antigas egbon do Candomblé, carregando entre os cabelos, uma pena de pássaro.
Algumas historias de Ifá, ilustram que Ìyàmì tem o poder de se transformar em pássaro, empoleirando-se em algumas árvores como Iroko e Ajanrere. Esse, por sinal, é um dos motivos para que as pessoas não fiquem debaixo da copa de Iroko durante a noite, pois acreditamos que ela se esconde em seus grandes galhos.
Muito embora, grande parte do culto de Ìyàmì é destinada às mulheres, existe a dança de Gèlèdè, realizada por homens. Nessas danças, os homens prestam homenagem à Ìyàmì, com máscaras que simbolizam a própria imagem da Grande Mãe Ancestral. A dança realizada por homens, mostra de forma contundente que a mulher tem o poder da vida, pois todos são gerados no ventre feminino, todos nasceram de uma mulher, sendo fundamentalmente importante se curvar ante à poderosa mãe. No Brasil, a dança de Gèlèdè não perdurou, talvez pelo fato da supremacia da mulher nos terreiros e, ainda talvez, pelo forte culto à Egúngún, os grandes ancestrais masculinos, que diferente do culto à ÌYámì, tem quase que sua totalidade de rituais, liderados por homens.
Todas as mulheres e todas as Divindades femininas – principalmente Òsun, Oba, Yewa, Oya, Nana e Yemoja, possuem uma grande ligação com Ìyàmì. Cada uma dessas Divindades possui uma justificativa que ilustra sua ligação com Ìyàmì, mas o fato de todas serem mães e poderosas em suas sociedades, reflete de forma abrangente esses laços.
No Asè Òsùmàrè, à época das festividades de Òsun, existe um ritual carregado de simbolismo, na qual as mulheres do Terreiro carregam as águas para a árvore consagrada à grande e poderosa mãe. As mulheres do Terreiro, principalmente as Agba, dançam e cantam em homenagem àquela que representa o maior poder da mulher na sociedade Nàgó.
Embora seja um ritual interno, realizado diante somente dos filhos da casa, é uma cerimônia muito importante para todos, pois revitaliza a importância da mulher e do poder feminino, remetendo-nos à mais pura essência da nossa cultura ancestral. É fundamental, ainda, pois apazigua os poderes dessas grandes mães, transformando sua energia num poderoso agente de proteção, seja para casa, seja para os filhos do egbe.
Obviamente, esse culto é cercado de segredos que não podem ser revelados aos não iniciados e, em momento algum, podemos esquecer que estamos escrevendo num ambiente que é aberto a todos. No entanto, mesmo com o cuidado de não participar o Awo (mistério) desse culto, nós do Terreiro de Òsùmàrè, esperamos ter contribuído para o esclarecimento sobre essa importante Divindade do Candomblé, Ìyàmì Agba.
Pesquisa inicial: Fernando D’Osogiyan.
Pesquisa final e diagramação: Pery Salgado (jornalista)
Imagens: arquivo CULTURARTE
Realização: PR PRODUÇÕES












